Fish

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O MACACO, A MACACA, O OUTRO MACACO E A MACACADA

Esta é a história do macaco que ficou torto do rabo, pois caiu do galho e vive muito triste e chateado porque além do mais perdeu a macaca que tanto amava. Tudo isso por causa do seu ciúme terrível. Foi assim: o macaco encontrou por acaso a macaca por quem estava apaixonado trepando num galho com outro macaco e subiu à árvore para tirar satisfações. A macaca dissera-lhe que ela e o outro macaco eram apenas amigos. Mas o macaco enciumado não compartilha dessa idéia e, desconfiado, respondeu que sua macaca pode até ter amigos, mas não para ficar com eles trepando nos galhos, afinal a macacada sabe que ela é sua macaca, e isso só pode gerar comentários maldosos por parte da macacada . A macaca disse-lhe então que ele não tem que ligar para a língua da macacada, pois quem tem boca fala o que quer. Isso já é de muito tempo. O importante é a honestidade... A consciência limpa. Daí o macaco retrucou que não estava nessa, pois não acreditava em amizade desinteressada entre macaco e macaca, e nem achava que o outro macaco estivesse ali sem interesse.
Foi aí então que o outro macaco se pronunciou, e defendendo-se disse que respeitava a macaca do macaco enciumado como uma verdadeira amiga e que tinha muita consideração ao compromisso que sabia que existia entre os dois. Além do mais só desejava a felicidade do casal, principalmente a dela, como sua amiga, ademais, não seria capaz e ter algum relacionamento com uma macaca comprometida pois isso não era do seu feitio e que também não gostaria que assim agissem com uma macaca que consigo tivesse um compromisso. Então o macaco enciumado disse-lhe que se calasse, pois ele como macaco bem sabe como são os macacos e o que se passa na cabeça dos macacos. Foi aí então que o outro macaco perguntou ao macaco enciumado se ele não se garantia. Foi o suficiente para o macaco enciumado tornar-se encolerizado e responder-lhe que se garantia o suficiente para dar-lhe uma lição , derrubando-o do galho, pois ele, o outro macaco sabe que os dois mantém um romance deveria evitar de ficar com ela trepando juntos nos galhos para não dar à macacada razão de fazerem comentários maldosos, poupando-lhe de situações constrangedoras. Então o outro macaco, já impaciente e também indignado explodiu que faz o que quer e que não é crime conversar com uma macaca comprometida.
Ao longo disso, a macacada foi juntando-se ao redor da árvore, assuntando a discussão e fazendo comentários sobre o fato que estava a envolver os três macacos, fazendo meneios de cabeça. Uns concordando, outros discordando do que ouviam e divertindo-se com a cena.
O macaco enciumado, aos resmungos e ameaças pulou até o galho onde o outro macaco estava e tentou agredi-lo para derrubá-lo do galho. A macaca afastou-se assustada enquanto o outro macaco rapidamente pulou para outro galho. O macaco enciumado pulou para o mesmo galho, perseguindo o outro macaco. Mas aí o outro macaco já houvera pulado para um outro galho. O macaco enciumado logo pulou então para o galho em que o outro macaco acabara de pular, e estava cada vez mais enfurecido. Quando viu que o outro macaco tinha já pulado para um novo galho perguntou ao outro macaco se ele não era macaco o suficiente para enfrentá-lo. Ao que o outro macaco respondeu-lhe que estava em paz, que não via motivo de brigar, e que ele, o macaco enciumado, se queria brigar que o pegasse então, se pudesse.
A macacada lá embaixo não se continha em rir e vibrar da evolução da história, aguardando o desfecho com interesse.
O macaco enciumado, cada vez mais tomado de ira, pulou para o galho onde estava o outro macaco. Mas o outro macaco pulou frações de segundos antes para um outro galho, no que o macaco enciumado fez a mesma coisa. Mas o outro macaco, ágil já houvera pulado para um novo galho, já pronto para pular para um outro galho pois logo o macaco enciumado e encolerizado pularia para aquele galho logo, em seguida, como aconteceu, mas o outro macaco já não estava mais nele. E assim ia se desenrolando a história.
A macaca assistia a tudo atônita. E gritava para o macaco enciumado que parasse de perseguir o outro macaco pois nada havia entre ela e ou outro macaco. Mas o macaco enciumado não deu ouvidos à sua macaca e pulou para o galho em que o outro macaco então trepava. Mas este por sua vez já houvera pulado para um outro galho, antes que o macacão enciumado alcançasse o galho onde estava. O macaco enciumado estava cada vez mais impaciente e revoltado. A macacada ao pé da árvore vibrava com aquela picula de galho em galho. O macaco enciumado mais uma vez pulou para o galho onde trepava o outro macaco, e este por sua vez já houvera pulado para um outro galho, e assim se passaram mais uns bons minutos, com o macaco enciumado agredindo verbalmente e ameaçando o outro macaco, o qual desafiava-lhe a conseguir derrubá-lo, o que enfurecia ainda mais o macaco enciumado, enquanto a macaca tentava acalmá-lo para que desistisse daquela ideia pois estava errado e precipitado. E assim o macaco enciumado pulava para o galho em que estava o outro macaco, mas este pulava antecipadamente para um outro galho, já pronto para ir a um outro galho, quando o macaco enciumado pulasse em sua perseguição.
Aconteceu por fim que o macaco enciumado pulou para um galho que quebrou. E a queda foi feia. O outro macaco estava nesse galho, mas ele, o outro macaco, era mais leve do que o macaco enciumado o suficiente para fazer a diferença. O galho suportou o peso do outro macaco mas não suportou o peso do macaco enciumado. E então aconteceu.
O outro macaco ficou lá do seu galho guinchando e se embalançando, como que comemorando a vitória sobre o macaco enciumado enquanto a macacada corria para junto do macaco recém caído para socorrê-lo, se ainda houvesse possibilidade. Apesar do prejuízo do rabo que quebrou e ficou torto o macaco enciumado deu sorte porque sua vida foi preservada.
Ruim mesmo foi o fato de que a macaca, revoltada e chateada com toda aquela situação chegou-se até o macaco enciumado, caído e com o rabo quebrado e disse-lhe que não iria lhe perdoar todo aquele vexame a que ele a fez passar e assim estava tudo acabado entre eles. Nunca havia sido exposta a tamanho vexame e não iria continuar para ver acontecer algo pior. Além do mais não estava em um zoológico para viver sem liberdade.
Agora o macaco enciumado vive remoendo a sua chateação por ter sido ridiculamente o protagonista daquela cena tão grotesca para a macacada que iria gozá-lo o resto da sua vida. Tudo porque não conseguiu controlar o seu terrível ciúme que o fez perder a noção do circo que armava. Preferiria ter sido macaco d auditório...
O macaco enciumado não está tão chateado em razão do rabo que ficou torto, pois diz que não olha pro rabo. O pior para si foi ter perdido a macaca amada. Estava com a macaca, e não está mais. Tentou reconciliar-se com ela, prometendo mudar, mas a macaca não lhe dá outra chance e não volta atrás em sua decisão pois quer ser feliz com um macaco tranqüilo, equilibrado, e não poderá ser feliz com um macaco histérico, enciumado. E de toda forma ela nunca poderia lhe quebrar esse galho pois já estava na de outro macaco, que pula de galho em galho se algum macaco ensandecido o tenta agredir. Pior que vira e mexe ouve sempre uma piadinha da macacada que apreciou ou soube do ocorrido.
O macaco agora vive triste e isolado em um canto, sonhando com a volta da macaca que ama, matutando um jeito de fazer com que isso aconteça não sendo capaz de aceitar outra macaca em seu coração de macaco, que para azar seu, teve que aceitar no próprio âmago a lição dura de que macaco que muitos galhos pula , acaba caindo de um deles.

OS PORCOS

Vinha um porco caminhando, em seu balanço desengonçado, desajeitado, quase não se cabendo em seu próprio excesso de gordura, roncando, como quem resmunga, queixando-se da sua fome, que é tanto que não encontra o suficiente para se satisfazer, e nem lhe dão toda a comida de que quase sempre precisa. E assim ia roncando , roncando, a cabeça baixa, virando de um lado para o outro, indiferente aos olhares censuradores dos transeuntes que ora passavam naquela rua de terra e com um amontoando de lixo a certa altura do trecho.
Estava totalmente imundo, o que fazia pessoas cuspirem ao passar por ele e afastaram-se mal podendo olhá-lo, tamanho a repugnância que sentiam. Mas o porco nem ligava e seguia roncando, roncando...
Parecia demonstrar até certo prazer e satisfação pela sua condição existencial, desfrutando do seu habitat como um paraíso amado, sem preocupar-se com nada, só em fuçar, e ainda aparentando a mais serena tranqüilidade. Desta forma ia o porco desfilando ante a presença de gatos, cachorros, galinhas, galos, perus, patos, urubus, outros animais, e pessoas que, de forma geral, vêem no porco uma triste figura e uma triste sina de vida. Ontem mesmo pegaram um seu semelhante para matar. Foi tão grande a chiadeira, a rebeldia, os protestos em grunhidos, que partia corações. É , apesar de tudo, o porco gosta de ser, e tem toda essa tranquilidade. Se soubesse o quanto tantos humanos desesperam-se por viverem num mar de lama social... Um outro porco, da mesma forma, vinha do outro lado, gordo, fuçando ali e acolá, roncando, roncando, procurando, algo apetecível que pudesse saborear. Encontra-se a certa altura então, e, ao modo das formigas, que, quando caminhando em direções opostas se encontram, param uma em frente à outra para trocar umas ideias, os nossos personagens pararam um em frente ao outro e o primeiro porco então falou: - Mataram ontem o nosso primo Augusto!
O segundo porco ficou espantado com aquela declaração. Indagou por sua vez então: - O que Barroso?! Eram dele aqueles chiados desesperados que ouvimos? Bem que desconfiei...! - Completou. Barroso então confirmou com tristeza: - Sim, eram dele, pobre coitado; era um grande camarada. Chorei um bocado. Que ódio me deu... Triste, Tertúlio... - acrescentou ainda com indignação. Tertúlio bastante melancólico, suspirou dolentemente: - É para isso que existimos... Triste sina a nossa. Só nos resta a depressão. - Juntou Barroso, no mesmo tom melancólico. - E nessa depressão comer, comer, comer sem parar... - Entrou Barroso ainda triste. - E fazer de conta que nada está acontecendo... - Continuou Barroso com uma ponta de revolta. Uma revolta abafada pelo nada poder fazer. Uma tristeza sombria os revolvia no silêncio. O qual Tertúlio quebrou pela curiosidade que o tomou de repente: - Como sabe que era o Augusto? - Fiquei de espreita, numa fresta por detrás do estábulo. Vi tudo! - Barroso respondeu de modo vivaz. - Foi? - Tertúlio, arregalado os olhos, surpreso. -E como fazem? - perguntou com alguma ânsia. - Amarram-nos e sangram-nos o pescoço com uma faca grande e pontuda. - Respondeu Barroso com ar incrédulo. - Você possui um coração duro, Barroso. Como conseguiu ficar olhando? - Tertúlio estava impressionado. - Tive muito medo. - Respondeu Barroso, parecendo ainda assustado. - Mas também muito coragem e determinação. - Completou em surdina. Ficaram um tempo em silêncio, triste, pensando. - Um dia chegará a nossa vez... - Falou Barroso em tom mal conformado - Que chegue... - Tertúlio respondeu resignado. - Todos temos que morrer mesmo. Se morre de várias maneiras, mas a morte é uma coisa só. - Filosofou. - Mas eu também não vou aceitar calado não ! - Barroso prometeu, ameaçador. - E Tertúlio assentiu solidário. Ficaram um tempo pensando no fato.- Tomara que peguem uma doença terrível e morram em seguida! - desabafou Tertúlio. - E ainda nos têm como os nojentos... - Criticou Barroso com desprezo. - Ai que depressão. - lamentou Tertúlio - E quase que não se acha nada para comer por aqui... - É - concordou Barroso - Hoje não está muito bom e eu estou com uma fome mais do que nunca. - Vamos lá no montão. - Convidou Tertúlio. - Talvez tenha alguma coisa recente. - É, vamos... - Resolveu Barroso. E seguiram então pareados , em busca de comida e conversando aos roncos os seus assuntos, que porco com porco se entende...

A BORBOLETA IRREVERENTE

Era uma vez uma borboleta. Mas não era uma borboleta comum. Quer dizer: comum em tudo o que possamos imaginar a respeito de uma borboleta qualquer. Nossa diversa personagem houvera já, Desde os primórdios da sua vida, tomado consciência de si. Quando ainda era encerrada em um ovo.
Foi assim: logo que fora posta à luz do dia apercebeu-se de que era algo distinto; a representar-se em si mesma. E havia algo mais que a fazia certa dessa consciência, como a falar-lhe em silêncio que existia: o pensamento. Como uma voz silenciosa. Si mesma a lhe falar.
Não saberia precisar desde quando se apercebeu. Tanto lhe parecia Ter sido a pouco tempo, como lhe parecia Ter sido há muito. Às vezes lhe perecia que a noção de si mesma ocorrera apenas uma vez e desde então não parava de pensar na possibilidade da sua distinta presença. Permanecendo horas neste estado mental de prospecção. Tinha certeza do que intuíra. Só faltava-lhe uma confirmação. Outras vezes, porém, sentia como que sempre existira mas só agora sedava conta da própria percepção da sua presença em si. Não saberia precisar. O certo é que a consciência de si se pronunciava a cada momento de forma cada vez mais irrecusável ao pensamento.
E assim, pensando, nessa circunspecção, analisava a sua situação, a sua condição. E tudo como que podia atinar era que era, e encerrada estava em si mesma, estaticamente, e auto limitada por uma camada externa resistente, em toda parte coesa em si, de maneira a não poder se expandir ou se locomover. Percebia também alterações na própria temperatura. Pois às vezes sentia em volta um clima de calor, às vezes sentia a sensação do frio.Não poderia saber sobre qual era o quente e qual era o frio, porém sentia as alterações. Da mesma forma percebia alterações entre claro e escuro. Percebera já desde então que o ambiente ficava tomado de uma claridade que a envolvia até mesmo dentro de si. Outro tanto de tempo ficava tomada pela ausência dessa claridade,chegando parecer que não existia, não fosse a sua voz silenciosa a falar-lhe da sua presença.De toda forma a falta de claridade não alterava a sua consciência de que era algo ali;a consciência da própria existência, pois não deixava de lhe acompanhar aquele algo mais que lhe falava em silêncio que era algo em si; que existia. Depois vinha-lhe a claridade outra vez e ficava muito tempo ,após o que, já não ficava, cedendo lugar à sua ausência , isto é , à escuridão. Claro que a nossa precoce personagem podia apenas perceber ,mas ainda não sabia que se tratava das alterações de dia e noite.
Outra coisa que parecia ter noção eram as alterações entre dormir e estar acordado, ainda que não estivesse certa do que se dava e como se dava o que se dava. Parecia-lhe que em determinado momento todas as reflexões reiniciavam-se como se estivesse ocorrendo pela primeira vez. A consciência de que era algo em si; a sua condição; as alterações de temperatura e luz; a ocorrência dos pensamentos a se renovarem.
E assim fora os primórdios da nossa introspectiva personagem, encerrada dentro de um ovo numa folha de uma árvore numa mata pantanosa.
Ocorrera ademais que seus pensamentos , suas reflexões, que sempre recomeçavam quando despertava, não ficavam sempre em torno do mesmo processo,mas aos poucos, à medida em que seu organismo ia se desenvolvendo tomavam novas dimensões e para além dos mesmos pensamentos e reflexões a nossa mutante personagem já especulava sobre do que na verdade tudo aquilo se tratava e ocorria meditar sobre as possibilidades. E assim raciocinava sobre a sua condição. E raciocinando especulava e tinha desconfiança de que acontecia alterações em si mesma . Não saberia determinar como, mas tinha noção de que sofria alterações. Crescia. E assim sentia aumentar-se em sua própria dimensão. Alterava-se também a sua posição dentro do espaço. Tinha essas impressões de uma maneira um tanto vaga , não bem definida mas perceptível o suficiente mas o suficiente para intuir que não estava numa condição definitiva. Estava a se transformar e não demoraria a ter as respostas. E nessas especulações intuitivas chegara mesmo a imaginar o que haveria além de si. Além dos limites que a cercavam. Concluía que existia muito mais além do espaço em que ora se encontrava. E ficara a imaginar como seria tudo o mais além de si mesma. Como a revolver-se. E daí lhe ocorria que bem que poderia vir a tornar-se algo que se locomovesse ao invés de ficar sempre estática,pois sua condição já começava a causar-lhe incômodo, e sentia cada vez mais forte a intuição de algo aconteceria e que desvendaria enfim todo o mistério de si mesma,de onde estava e de tudo o que havia para além de si. E desta forma a nossa intuitiva personagem,pensando, refletindo, meditando, especulando, esperando, transformando-se; claro e escuro se alternando; frio e calor se revezando; dormindo e acordando e sentindo aumentar-se em dimensão, revolver-se e movimentar-se todo o espaço em que se encontrava, que era naturalmente o vento dando na folha onde o ovo em que se encontrava repousava.
E foi assim que em certo dia a paredezinha que a envolvia começou a ceder aos poucos enquanto a nossa meditativa personagem ia, obedecendo aos seus impulsos instintivos e naturais, se projetando para fora do espaço que lhe encerrava. Já não era sem tempo , já não era sem tempo , pois já vinha cansada e incomodada daquela monótona e estática condição. Então, desta forma, via que suas especulações se confirmavam. E, projetando-se para fora da sua antiga morada, pôde assim vislumbrar que havia muito mais além de si e do espaço em que se achava confinada. E podia ver muitas coisas ã sua frente: as árvores com as folhas se balançando ao vento, um extenso lago com leves ondulações superficiais; o céu amplo, azul; as nuvens a flutuar e o sol, que naturalmente não podia ver, pois ofuscava-lhe as vistas ao tentar encará-lo. E maravilhou-se com tudo o que vira. Ficou de fato deslumbrada, embora não pudesse saber o nome de todas as coisas que via. Mas enfim se livrara da velha condição e desvendava o mistério do que havia além de si e do local onde se achava aprisionada. E enfim podia se locomover, como havia imaginado. E caminha então sobre o galho de uma árvore e logo logo pelo seu instinto já estava a devorar umas folhinhas as quais sentia enorme prazer em mastigar.
Algum tempo depois, a nossa herbívora personagem pôde constatar, não sem algum espanto, que não era a única. Podia ver num galho próximo uma outra semelhante a devorar suas folhinhas. E logo deduziu que deveria haver outras e outras mais. Muitas outras presenças como a sua. Teve vontade de se aproximar de sua semelhante, mas era um pouco distante,em outro galho. Não sabia como fazer para chegar lá. Mas quem sabe se encontrariam em alguma outra oportunidade.
E assim, aos poucos, foi tendo respostas sobre o que percebia mas não sabia do que se tratava. Com pouco a bola quente e amarela que lhe dava a sensação de calor, mistério que por fim desvendava, aquela bola de fogo, que malmente podia encarar, ia desaparecendo da sua vista, como que a ir embora, e aos poucos ia ficando de um jeito que nada podia ver , como quando fechava os olhos. E assim desvendara também o mistério do porque às vezes percebia a claridade e às vezes não... E pela primeira vez começava a perceber a ocorrência de sons. Pois seus olhos teimavam em manter-se fechados, mesmo que não quisesse. Ao mesmo tempo sentia algo como uma lerdeza junto com um cansaço ao qual sempre acabava por ceder, e quando se dava conta já estava na claridade do outro dia. A bola quente e amarela havia tornado a aparecer e logo a nossa futura borboleta estava a devorar as folhinhas que lhe serviam de alimento. E assim ia vivendo a nossa curiosa protagonista
Num belo dia, em que estava a se alimentar,pousou perto dela um passarinho, que chilreou um bom tempo para depois bater asas e ir para bem distante dali. Nossa deslumbrada personagem ficou deveras surpresa e algo espantada e, claro, logo invejou aquela forma de vida e desejou ser como ela,pois poderia se locomover pelo espaço e ir para onde bem quisesse. Seria formidável se fosse como ela: iria poder conhecer tudo o que existe além de onde a sua vista podia alcançar. Seria maravilhoso. E desde esse momento então passou a admirar aquela forma de vida enquanto até se maldizia da sua sorte: enquanto havia uns que podiam ir onde quisessem, se locomovendo pelo espaço, tinha ela que viver arrastando-se sobre galhos de árvores sem poder conhecer nada além de que seus olhos podiam ver. Começava a inconformar-se.
Em um de seus passeios sobre os galhos, já tendo passado por vários galhos, encontrou-se bem próxima à sua semelhante, a quem foi logo falando com entusiasmo sobre aquela forma de vida que avistara e que se locomovia solta pelo espaço e o quanto seria bom se pudessem fazer o mesmo. Mas, para sua decepção, sua semelhante não demonstrou nenhum interesse e até parecia satisfeita em se arrastar pelos galhos e não poder ir para além de onde estavam e não lhe deu muita atenção , mas falou-lhe que nós devemos gostar de ser o somos, conformando-nos com a forma de vida que a natureza nos relegou. Nossa rastejante protagonista achou melhor afastar-se dela e retornar a si e a seus pensamentos, sempre achando que bem que podia ser do tipo que pode se locomover pelo espaço e conhecer tudo ao redor. E assim ia passando dias e noites. Outros pássaros ainda iria ver a nossa chateada personagem, para maravilhar-se e inconformar-se mais ainda.
Conheceu também a chuva,que não achou de todo desagradável, mas muito bonita até. E assim revelou-se-lhe o mistério de um barulho contínuo que ouvia certas vezes mas que não podia saber do que se tratava. Agora podia constatar que são fiozinhos d’água caindo do alto do céu. O barulho da chuva pareceu-lhe agradável como antes ouvira.Noutro momento de chuva percebeu também o arco-íris e ficou bastante deslumbrada com aquele desenho decores tão belas no céu. Ficou mesmo impressionada. Porém nada lhe tiraria do pensamento a idéia de que deveria ser como aquela forma que vira indo pelo espaço, ao invés de ser como era. E assim ia passando os dias; e assim ia passando as noites; e assim ia vivendo a nossa ensimesmada protagonista.
Como passar do tempo, a certa altura,a nossa meditativa personagem começou aperceber que, aos poucos, alterações se iam lhe acontecendo:seus movimentos iam ficando cada vez mais lentos e pesados, já não tinha mais tanta disposição para locomover-se . A sonolência ia-lhe cada vez mais tomando o seu ser e era como se estivesse cansada, e as folhinhas que lhe eram tão saborosas já não lhe despertavam interesse. Cad vez mais sentia falta de impulso e um desejo de ficar estática, enquanto um sono letárgico, hibernal ia tomando conta de si. E seguindo um instinto natural, começou a se envoltar em uma cobertura que de si mesma construía , escondendo-se dentro de si e entregando-se aos seus pensamentos e à sua solidão, sempre lhe acompanhando na memória a imagem daquela forma que vira indo pelo espaço. E vinha o dia, e vinha a noite ; vinha o sol , vinha a chuva,e a nossa encasulada personagem não parava de desejar ser igual ao pássaro para se locomover pelo espaço.
Não podia atinar exatamente como que lhe estava acontecendo. Havia construído em torno de si uma parede,isolando-se como que retornando à sua condição inicial, quando tomou consciência da sua existência. Outra vez se encontrava reclusa, embora desta vez tenha sido quase que por vontade própria. Quem sabe pela tristeza de não poder ser como o pássaro,o que causou-lhe forte depressão e o desejo de anular-se, recolher-se em si mesma. E assim retornou a seus pensamentos, com suas reflexões e suas indagações: o que seria de sua vida? Teria que retornar sempre a esta condição de isolamento? E antes daquela primeira condição em que se flagrara,o que era? Por que não lembrava? Fazia esforço mas não conseguia lembrar. Será que um dia se reabririam as paredes que agora a envolviam? Quando? Será que demoraria? Será que seria a mesma ,ou será que seria diferente? Quem sabe poderia transformar-se num ser como aquele que se movimenta pelo espaço?E essa última indagação deu-lhe uma remota esperança. Quem sabe? Poderia ser que aquela forma que vai pelos ares já tenha passado pelo que ela passa agora. Essa possibilidade dava-lhe um certo otimismo. Será?E por aí se iam as novas reflexões da nossa encasulada protagonista.
A possibilidade de tornar-se como aquele ser que vai pelo espaço enchia-lhe de expectativas. Não se poderia dizer que estivesse incomodada como quando da primeira vez em que a nossa mutante havia se percebido e vivia dentro de um espaço fechado que lhe prendia sem poder se locomover e sem saber o que havia além de si. Tal situação passou a incomodá-lo de fato até o dia em que enfim pode movimentar-se livremente e as coisas além de si puderam lhe serem desvendadas,o que lhe trouxe alívio e contentamento. Pelo menos até quando avistou o ser que se locomove pelo espaço. Desde então sua forma de vida já não mais lhe agradava. Já havia satisfeito sua curiosidade sobre as coisas que haviam fora do invólucro que a privava da visão, e havia gostado imensamente do que vira,porém já não estava satisfeita pois não podia ir por aí conhecendo tudo para além do que podia ver, como podia fazer o ser que houvera avistado,o que lhe fizera inconformado. Agora estava totalmente fechada em si outra vez, e isso dava-lhe esperança de tornar-se como aquele ser que vira a se ir pelo espaço. E desta vez esta condição causava-lhe menos incômodo, também pelo fato deque não havia dessa vez a curiosidade de saber o que havia além de si e outros mistérios mais. Já houvera desvendado o mistério da claridade e da escuridão; da temperatura fria e da quente e porque às vezes sente um movimento, que é por causado vento, que por várias vezes sentira no corpo como a querer lhe derrubar dos galhos por onde se arrastava. Desta vez era só expectativa. Tinha grande esperança de poder voar.
O tempo foi passando enquanto nossa encasulada personagem vivia cada vez mais imersa em seus pensamentos,indagações, reflexões e expectativas. E, como da primeira vez, percebia que seu organismo ia se alterando ,se revolvia ou crescia ou mudava de lugar. Não sabia decerto que forma tomaria,mas tinha grande esperança deter asas e voar , e poder tudo o mais lá fora, além do que assuas vistas puderam alcançar. E assim iam dias e noites se passando , claro e escuro se alternando, dia e noite. Sentia-se balançar pelo vento, ouvia os ruídos lá fora,percebia quando a chuva caía , e ficava a indagar quando sairia daquela condição pois decorrido já um certo tempo já começava a sentir-se entediada e cansada o que vinha de qualquer forma a lhe causar incômodo, e também já sentia saudades e vontade de rever o que já havia visto e conhecido além do espaço onde se encontrava fechada, e havia realmente se deslumbrado com o mundo que se havia descortinado à sua frente. Ainda que tivesse de retornar à condição anterior, de se arrastar pelos galhos valeria à pena pois é melhor do que viver estática,inerte num espaço fechado, sem poder se locomover e sem poder pelo menos admirar as coisas que existem e que pode ver . Claro que não teria a plena satisfação, e cada vez que avistasse um ser que vai pelo espaço sentiria uma tristeza,porém pior seria viver encerrada onde estava, sem poder rever as coisas belas que tanto havia apreciado e lhe preenchido de alegria. E essa possibilidade lhe enchia de temor, mas não era mais do que pensamento, a intuição ,o pressentimento deque, como da primeira vez, iria se libertar outra vez dessa condição . E dentro desse pressentimento a forte esperança de que se libertaria,locomovendo-se pelo espaço... Quem sabe? E esperava já um tanto impaciente mas com muita esperança na sua expectativa. E decerto estava com toda razão a nossa esperançosa personagem,pois em certo momento começou a sentir-se livrando-se da sua condição aprisionada. E seguindo seus impulsos foi se libertando das amarras daquela prisão,a qual havia ela própria desta vez construído. E o mundo mais uma vez se descortinava às suas vistas. Não é difícil imaginar a alegria, o contentamento,a euforia que tomou conta da nossa mutante quando percebeu que possuía um belo par de asas. Quase não pôde conter-se de felicidade. Foi-lhe uma surpresa a mais a mais espetacular. Então seu sonho se realizara; suas expectativas se consolidaram; suas esperanças haviam se concretizado em realidade. Suas asas possibilitavam-lhe flutuar no espaço e seguindo seus próprios impulsos podia locomover-se pelo espaço para onde quisesse. Não teria mais que ficar se arrastando sobre galhos das árvores. Nossa alada personagem não se continha de contentação. Havia enfim alcançado uma forma como a desejara e estava satisfeitíssima. Ainda que não fosse uma forma exatamente como a que havia visto,pois seu vôo era menos rápido e menos ágil, mas... De que reclamar? Para que melhor ? Havia de toda forma conseguido o que tanto queria: poder locomover-se pelo espaço. E agora iria poder conhecer tudo o que havia além do que as suas vistas podiam alcançar. Estava plena de satisfação.
Como já havia imaginado,havia outros seres semelhantes a si. Nossa realizada personagem era apenas uma em meio a dezenas de pares de asas voando para todos os lados, quase desajeitadamente, recém saídas dos seus casulos e sem saber direito o que fazer, que rumo tomar;algumas ficavam pousadas inertes, descansando as asas,outras pousadas nas diversas flores para as quais sentiam-se atraídas. A mesma atracão sentia a nossa satisfeita personagem e também adorava ficar sobre as flores longos tempos a polenizar ( nectar ).
A princípio parecia esquecer o desejo,o impulso de sair pelo mundo afora para ver, conhecer as coisas que iam além das suas vistas. Seus instinto natural a fazia acomodada, junto às suas semelhantes, num só bando,num só grupo.Era até mesmo o próprio instinto de segurança que a fazia ficar junto às outras. Porém a nossa curiosa personagem não era mesmo uma borboleta comum, e já sentia-se incomodada de permanecer sempre por aquelas imediações. O grupo não parecia ter a mínima curiosidade de conhecer os mistérios que haveriam para além daquelas paragens. E assim a grande bola quente e amarela já havia ido embora duas vezes e retornado e a grande bola branca e fria já havia aparecido duas vezes também desde que saíra do casulo e a nossa protagonista pensava e meditava na sua vontade de desgarrar-se do bando para sair pelo mundo afora para conhecer o que mais havia por esse mundo misterioso,pois realmente não era fácil decisão. Não sabia o que haveria de encontrar por aí sozinha . Tinha certo receio. Mas não tanto aponto de desistir do seu desejo. Afinal era tudo o que queria antes,quando ainda era uma crisálida. Tanto desejo acalentou, tanto sonhou, tanto esperou... E agora ficar presa no mesmo espaço por causa dos outros, que nem estavam em seus planos. Fosse lá o que fosse que viesse a encontrar pelo caminho estava decidida a depois que a grande bola amarela e quente reaparecesse no céu iria partir. Não tinha mais vontade de permanecer sempre naquele mesmo lugar se o que sempre quis foi ter asas para voar e conhecer esse mundo misterioso. Aguardava poiso dia raiar.Iria ficar ainda junto um tempo das suas semelhantes, depois iria felizmente realizar sua vontade de conhecer tudo o que havia para muito além do que os seus olhos podiam ali vislumbrar.
E assim, depois que o dia se fez claro, ficou um tanto tempo com suas companheiras,observando seus comportamentos e sentindo uma certa melancolia, como uma saudade precoce, aponto de quase não querer partir. Mas no seu âmago não podia de demover-se da idéia,pois era um desejo incontrolável que vinha do mais íntimo de si. Ocorreu-lhe este pensamento como um estalo. Iria pelo desconhecido afora. Mas é claro que iria poder retornar quando e assim que quisesse ou tivesse que retornar. E esse pensamento a encheu ainda mais da decisão de se ir.
Antes de se ir porém ainda encontrou e reconheceu a sua semelhante com quem teve uma breve conversa, antes de passarem pelo casulo e que não havia manifestado nenhuma empolgação pela idéia de poder se locomover pelos ares. E foi de novo falar-lhe:
- Olá! E então? Não se sente melhor assim? Agora podemos nos movimentar pelos ares... Bem melhor do que se arrastar pelos galhos, não é?
- Certamente. – Respondeu a outra. E emendou: - Mas fosse lá como fosse eu estaria sempre ainda me sentindo bem.
A nossa futura retirante não ficou muito surpresa com a resposta da sua semelhante já conhecida. Sabia já o quanto ela é indiferente a tudo o que lhe acontece. Mas resolveu desta vez continuar conversando com ela , pois estava feliz e desejava manifestar sua alegria:
-Pois para mim foi um grande desejo que se realizou! Agora poderei sair por aí a conhecer tudo o que existe. O que acha de sair por aí conhecendo a tudo o que nos for dado a conhecer? Eu já estou entediada de ficar presa aqui, sempre aqui, vendo sempre as mesmas coisas ... Vamos ficar sempre aqui ? Sem conhecer o que há por aí a fora ?
- E o que há a conhecer por aí a fora ? – A outra inquiriu com ar de indiferença
- Não sei, mas é justamente o que eu quero saber. Algo me diz que existe muita coisa aí para se ver, para se descobrir. - insistia, com o mesmo entusiasmo.
- Pois algo me diz que devo ficar aqui, junto a todas as outras. Que aqui é nosso lugar. O que pode haver por aí que não tenha aqui ? Aqui temos a mata,o lago, as flores, a chuva, o sol ; estamos sempre sob o céu. Tudo de que precisamos está aqui. Se eu fosse você deixaria dessa idéia e ficaria sossegada aqui,vivendo a vida como todas temos de viver. – argumentou com ar professoral.
Mas a nossa mutante estava decidida e nada a faria desistir da idéia de conhecer os mistérios que haviam para além dali,pois certamente haviam. Quem sabe descobriria onde se esconde aquela bola quente e amarela ou de onde vem aquela bola branca e fria. Quem sabe descobriria para onde vão e de onde vêm aqueles que já possuíam asas antes, os quais avistara e invejara e agora poderia vê-lo sem maior quantidade, indo pelo espaço até perder de vista. E aqueles gigantes, enormes, com as asas estendidas e imóveis e que passam tão alto, fazendo grande barulho, para onde vão ? Não ! Deve haver muito mais, muito mais coisas a se ver por aí, e não iria se dar por satisfeita em permanecer por ali quando o que pulsava dentro de si era a certeza de algo lhe chamava para conhecer por aí a fora. Olhando para o lado do bando de suas companheiras, pareceu-lhe que o bando diminuíra,e imaginou que outras deviam ter-se desgarrado pelo mesmo desejo de sair por aí a fora. Podia até ser uma impressão, mas parecia menor o bando. Talvez tivessem sido convidadas desse desejo tão forte. E, pensando assim, respondeu ao conselho da sua interlocutora :
- Não ! Estou decidida. Eu tenho que ir , pois sempre quis conhecer o tudo que existe por aí e desvendar mistérios.
E dizendo assim, lá se foi a nossa aventureira borboleta pelo mundo a fora na sua expedição solitária por descobrir o mundo desconhecido e que lhe fascinava.
Voara já um tanto que a grande bola amarela e quente estava à altura do meio do céu e não tinha visto muita coisa de interessante, a não ser os diferentes tipos de pássaros, como os que houvera visto antes, quando ainda era uma crisálida, diferentes tipos de plantas e de árvores e seres que andam sobre o chão sobre quatro patas. Também vira seres que nem patas tinham e se arrastavam pelo chão ou se enroscavam nos galhos das árvores. Mas nem por isso deixava de achar tudo fascinante, por ver tanta coisa diferente que certamente não veria se continuasse presa ao bando, circundando a mesma área onde nascera. Às vezes cansava, e ficava descansando minutos a fio sobre o tronco de qualquer árvore, pensando. Às vezes ficava indecisa, quando não sabia bem que rumo tomar. Mas cada vez mais aumentava a sua expectativa de algo muito interessante e grandioso a descobrir. Sentia que algo poderia acontecer de diferente e bom. Às vezes lhe ocorria que não haveria nada demais a conhecer por aquela densa floresta, e que tudo era quase igual ao que existia nas proximidades de onde viera a conhecer o mundo. Às vezes perdia de vista a grande bola amarela e quente, e achava ser impossível saber onde ela se escondia, pois era muito alto e quando conseguia olhar um grande espaço à frente percebia que era enorme e distante demais o rumo que ela tomava que ainda que voasse durante todo o tempo de claridade que ela oferecia não conseguiria acompanhá-la. Às vezes sentia-se desprotegida e receosa de estar só no meio da mata e sem rumo, mas a sua intuição de que valeria à pena pois algo encontraria que corresponderia aos seus anseios era mais forte do que qualquer coisa que não pensava em retornar, mas sim em prosseguir. E assim prosseguia, era descobrindo uma pequena novidade aqui, outra acolá, como uma enorme cachoeira que lhe deixara encantadamente absorta. Quanta água caindo do alto de um curso d`água ...! E que barulho! Fazia um barulho forte, estrondoso,mas ao mesmo tempo agradável. Veria ainda muitos outros pássaros tais os que já havia conhecido e muitos outros , de cores, bicos, tamanhos, cantos diferentes,mas cada um mais belo do que o outro. Eles continuavam a inspirar-lhe um forte sentimento de liberdade. Quando as avistava batia as asas com mais alegria e sentia cada vez mais gana de sair desvendando os mistérios do mundo. Tantas flores diferentes lhe haviam atraído. Outros tipos daqueles que andam sobre quatro patas vira também, assim como diferentes tipos daqueles que deslizam pelo chão e se enroscam em troncos de árvores.
E assim foi o primeiro dia da nossa aventureira protagonista, até que chegou a noitinha e decidiu que iria dormir até que abola quente e amarela aparecesse no alto do céu novamente. É mesmo muito difícil alcançá-la. Ela parece ir muito mais rápido na frente e se escondia bem distante, lá longe. Sentia que mesmo que passasse muitos dias voando para lhe acompanhar, não a alcançaria, não iria descobrir o lugar onde ia se esconder ao final de cada dia. E de repente a bola branca e fria já despontava no alto do céu, ante o seu olhar ainda surpreso, admirado. Era também impossível saber de onde ela aparecia para o seu passeio noturno a deixar as folhagens de uma cor diferente, com uma beleza própria.Não se poderia dizer que estivesse decepcionada como seu primeiro dia de exploração do mundo. Na verdade não se afastara muito do local de onde viera ao mundo, e no outro dia poderia ser que algo de mais interessante viesse a acontecer, algum fato novo que viesse a corresponder às suas expectativas, aplacando-lhe mais o anseio e o desejo incontrolável de desvendar o mundo. E assim, envolta nestes pensamentos, dormiu.
No outro dia, mal a claridade tomava conta da floresta, nossa alada personagem já estava posta a rumo não se sabe bem lá de onde, e voava por entre as folhagens sempre atenta a tudo o que lhe chamava a atenção: quadrúpedes, pássaros, serpentes, flores, rio, tudo. O sol já ganhava altura e tudo parecia ter o mesmo encantamento, o mesmo fascínio; tudo lhe despertava um fascínio novo a cada dia, a cada instante. Achava tudo bom de se ver e cada vez mais se afastava do lugar onde nascera, sempre à frente do seu objetivo de explorar o mundo.
Após Ter voado durante quase todo o dia sem Ter visto nada de diferente do que houvera visto no dia anterior,o que já lhe estava fazendo monótono e entediante o passeio a ponto de já passar por sua cabeça a possibilidade de retornar aos seus, pois, de qualquer forma houvera já realizado o seu desejo, satisfeita a sua curiosidade,eis que de repente surge-lhe à frente um descampado. Um lugar aberto,enorme que seguia-se à floresta , um caminho que parecia passagem para algum outro lugar. Ali era um lugar diferente pois não havia árvores grandes mas só plantas de meia-altura e vegetação rasteira e uma trilha no chão por onde enveredou seguindo a sua direção no seu vôo a nossa curiosa protagonista, sempre a tenta a tudo. Seguindo em vôo pela trilha algum tempo depois avistou outro tipo de ser que não houvera ainda visto. E era diferente,pois era apoiado em duas pernas apenas.
Na verdade a nossa personagem havia chegado próximo ao limite da floresta, já quase onde coca a cidade dos homens. E o ser que ela acabara de ver era uma menina que morava por aquelas imediações e estava ali a colher flores as quais ia colocando dentro de um cesto.Usava um chapéu de tecido estampado com vários tipos e cores de flores,vestido de laço amarrado atrás, botas curtas e meias grossas à altura do joelho. Nossa expedicionária viu nela algo de especial; um ser diferente pelo jeito leve e pacífico. Era diferente dos outros animais pois tinha algo de atrativo, e resolveu aproximar-se, pousando numa flor próxima para observá-la melhor. A menina possuía um belo cabelo loiro em inúmeros caracóis e um belo par de olhos azuis. Ao perceber a presença da borboleta próxima a lhe observarcom suas asas abrindo e fechando vagarosamente e comas antenas em riste como a querer captar-lhe qualquer sinal, ficou surpresa e admirada saudando-a com alegria :
- Nossa ! Que linda !
- Nossa ! Linda ! – Repetiu a nossa curiosa personagem.
- Poxa ! Você fala ! Como você sabe falar ? – Quis saber a menina cheia de admiração.
- Poxa ! Fala ! - Repetia sem entender a nossa a nossa aventureira protagonista.
- É – Explicou-lhe então – Falar : comunicar-se como a gente. Pois os animais não falam.
- Animais ? – Inquiria a nossa mutante protagonista sem entender.
Por um momento amenina pensou que poderia estar sonhando. Mas como ? Estava ali em pé sob a luz do sol a colher flores. Mas mesmo num sonho ela poderia estar a colher flores sob o sol. Porém parecia estar acontecendo de verdade. Estava a ver e ouvir uma borboleta responder-lhe, embora parecesse não entender as coisas que lhe dia, e resolveu então seguir em frente nesta inusitada conversação.
- Eu disse que você é linda, quer dizer, agradável às vistas. Boa de se ver.
- Ah ! – Respondeu com satisfação a nossa mutante falante. – É como eu acho que é tudo isso desde o dia em vi pela primeira vez. Agradável de se ver. E sempre me agrada mais. Você é muito linda também.
- Oh ! Obrigada... Mas, onde você aprendeu a falar ? –Perguntou-lhe interessada amenina.
- Falar ?- Inquiriu a nossa alada protagonista sem entender.
- É . Falar . – Repetiu-lhe a menina que já não mais se dedicava a colher flores e concentrava toda a sua atenção naquela borboletinha tão singular – E continuou explicando-lhe – falar é dizer as coisas que sente e que pensa, expressar-se através da boca para quem ouve poder nos entender... Como eu estou dizendo agora. - Completou.
- Ora , – Respondeu-lhe a nossa mutante logo em seguida – eu não sei. Desde que me entendo que eu falo. Não sabia que isso era alguma novidade. Falamos umas comas outras. É normal Você falou comigo e eu estou entendendo o que você diz. Isso não é normal?
- Não , não é normal não. Os animais não falam. – Respondeu-lhe apequena ainda intrigada.
- Animais ? – mais uma vez não entendeu a nossa mutante.
- É. Animais. Os que são diferentes de nós. É assim que chamamos todos os outros.
- Ah!Entendi. Você é diferente mesmo. Por isso me aproximei de você. Fiquei muito curiosa e quis te ver de perto. Quem sabe tenha encontrado algo de interessante como o que estava procurando...
- E o que estava procurando ?
- Não sei direito. – Ficou um tempo pensativa . – Você não acha esse mundo maravilhoso e misterioso? E que deve haver muitas coisas maravilhosas e misteriosas para se ver?
- É verdade ! – Respondeu-lhe apequena com uma ponta de empolgação. - É como você também : maravilhosa e misteriosa.
- Ah! Obrigada - Respondeu-lhe com contentação a nossa borboleta. – Você também é...
- Ficaram um tempo caladas, pensativas. Até que a nossa alada personagem perguntou para a amiguinha que acabara de conquistar:
- Se vocês nos chamam de animais, como chamam a vocês mesmos ?
- Hum ! Nós nos conhecemos como seres humanos. Mas no fundo, somos animais também. Mas nós raciocinamos, pensamos, falamos. E para nós os animais não falam, principalmente com a gente,humanos. Dizem que há muito tempo atrás é que falávamos com os animais , mas não sabemos se isso é verdade ou é lenda.
- Lenda ? Perguntou-lhe a nossa mutante sem entender.
- É ! Lenda. Invenção. – Coisa da imaginação de certos contadores de histórias. Existe muitas histórias contadas onde animais falam,mas temos isto como invenção, lenda !
- É ... – Assentiu a nossa borboleta protagonista. – Quem sabe somos dos tempos das lendas... – E soltou um sorriso irônico.
Amenina soltou um riso também,e depois, pensativa,respondeu:
- É ... Quem sabe...?
E resolveu não mais se intrigar com o fato de estar conversando com uma borboleta curiosa de saber um monte de coisas. E assim ia ela respondendo a tantas coisas quantas a nossa curiosa borboleta se interessava em saber. A borboleta lhe perguntava repetindo interrogativamente o que amenina dizia e a borboleta não sabia do que se tratava, ao que então amenina lhe explicava:
- É ! Flores... ! Estas coisinhas singelas e coloridas que as plantas dão e que estou agora colhendo para enfeitar a casa.
- Casa ? – Perguntava por sua vez a nossa curiosa borboleta.
- É ! Casa. O lugar onde moramos, onde nos abrigamos, onde comemos,dormimos. O lugar onde vivemos.
- E assim foi a menina lhe explicando uma porção de coisas, satisfazendo a curiosidade de nossa alada mutante. E assim lhe explicou o que é cidade, escola, avião, sol, lua, mar, anos, meses, dias e muitas outras coisas. Conversaram até quase o final do dia. A nossa encantada protagonista mostrava-se sempre mais encantada e sentia-se satisfeitíssima em aprender tanta coisa. Começara a achar que enfim encontrara o algo que tanto procurava: a descoberta do mundo.
A certa altura a menina teve de dizer-lhe que deviam separar-se pois ela tinha que ir pois já era tempo de Ter chegado em casa e sua mãe devia já estar preocupada.
- Preocupada ? – Perguntou então espantada a nossa ex-crisálida.
- É . Preocupada . – E explicou-lhe o que significa ante o olhar e antenas da nossa mutante.
- Amanhã poderemos nos ver novamente. Mas toma cuidado se encontrares algum caçador de borboletas, pois você é muito bonita e algum deles pode querer levar você.
A nossa curiosa borboleta ficou nessa hora um tanto atônita e espantada:
- Caçador de borboletas ? ? ! - Perguntou-lhe com singular interesse.
A menina, a título de ajuda, resolveu explicar-lhe:
- É . Eles gostam de colecionar borboletas belas como você , conservando-as presas dentro de um quadro para que possam admirá-las e tê-las para sempre.
- Prendem num quadro ? – Perguntou assustada a nossa intrigada protagonista.
- É !- Respondeu-lhe apequena. E procurando acalmá-la emendou:
- Mas não precisa se preocupar . Basta que você voe alto que eles não poderão te pegar.
- Mas ... Como ficam as borboletas dentro de um quadro ? – Perguntou ainda cheia de espanto. – Não podem então voar e sair por aí ?
- Não ! – Respondeu-lhe a menina meio entristecida. – Ficam com um alfinete atravessando o corpo.
- Alfinete ???
- E a menina então explicou-lhe o que é alfinete.
- Como ? – Arregalou os olhos e as antenas puseram-se em riste. – Deve doer muito então. – Finalizou resignadamente triste.
- Não. Nem sentem ,pois estão mortas.
- Mortas ? – A nossa curiosa protagonista cada vez mais se mostrava intrigada e interessada.
- É . – E nesse momento apequene estancou e resolveu pensar um pouco mais.
Mas a nossa borboleta apressava-lhe:
- O que é estar morta ?
A menina achou enfim que não haveria problema em falar-lhe a verdade, pois sua intenção era protegê-la, e não assustá-la:
- É uma coisa natural. – Começou a explicar-lhe com toda a tranquilidade possível. – Um dia deixamos de viver e ficamos sem nos mexer, sem ouvir, sem ver, sem pensar, sem respirar e viramos pó. Deixamos de existir.
Nossa curiosa personagem ficou melancólica com essa novidade. Quer dizer que um dia tudo terá um fim? Não veria mais esse mundo belo e fascinante ?
Como se estivesse a ouvir seus pensamentos amenina continuo a falar-lhe:
- Sabe, não sabemos ao certo, mas dizem que continuaremos de outra forma em outro mundo; que é como começar uma nova vida em outro lugar. Mas outros crêem que nada há após a morte. É como antes de nascermos para este mundo: não existimos, nem o mundo... Mas ao certo não se tem certeza. Cada qual crê à sua maneira, como lhe parece mais conveniente.
Nossa aventureira protagonista ficou deveras triste com a notícia da morte e ficaram as duas caladas durante um tempo. Enfim nossa protagonista voadora quebrou o silêncio:
- E quando é que a morte vem ?
- Nós nunca sabemos. Pode vir logo, pode demorar... Depende...
- Depende ?
- É , depende. Quer dizer, é de acordo coma sorte de cada um. Geralmente ela vem quando estamos já velhos.
- Velhos?
- É, velhos. Quando acumulamos muito tempo de vida ficamos cansados e fracos. Aí então ela se aproxima. Mas às vezes por causa de acidente, maldade ou doença ela pode vir antes de ficarmos realmente velhos e cansados.
- E quanto tempo levamos para ficarmos velhos ?
- Ah , isso depende de cada ser , pois uns ficam velhos e cansados mais cedo do que outros.
- E nós borboletas quanto tempo levamos para ficarmos velhas e cansadas ?
Amenina agora ficou um pouco receosa de lhe responder pois sabia que o tempo de vida de sua amiguinha era bem menor do que o seu, e não sabia ao certo como lhe responder. Então lhe disse:
- Não sei. Mas não se preocupe. Quando ela vier você estará velha e cansada. Certamente não se importará com ela. Em certos casos é até como uma porta de saída, um alívio.
- A nossa curiosa personagem pareceu acostumada com a idéia da morte, mas, sempre mais curiosa teve uma idéia:
- Olha , veja então na escola , ou pergunta para sua mãe pois eu tenho que saber quanto tempo ainda eu terei para viver nesse mundo tão lindo e maravilhoso até ir para o desconhecido.
A borboleta curiosa ainda teve desejos de ir junto com a menina para a sua casa , mas amenina mas amenina demoveu-lhe da idéia falando-lhe que era arriscado pois em sua casa havia gatos, além de lagartixas nas paredes.
- Gatos ? - Perguntou assombrada.
E amenina explicou-lhe então o que são gatos, ao que nossa mutante falou-lhe que poderia ficar no alto da parede da casa, ao que a menina então falou-lhe sobre as lagartixas.
- Lagartixas ? – Perguntou com espanto. A menina então explicou-lhe do que se tratava ante o olhar assustado da nossa incomum personagem que assim pareceu ter sossegado, marcando então um encontro para o dia seguinte quando a menina já teria a resposta sobre quantos dias, meses ou anos teria até que viesse essa tal de morte, e foram juntas conversando até chegar próximo da casa da menina, quando então se despediram.
Aconteceu porém que a nossa borboleta, fazendo de que se despedia, após a menina ganhar a casa porta adentro, se enfiou por uma greta do telhado de casa para ouvir o que a mãe da menina lhe responderia sobre o que ficara de saber dela sobre o seu tempo de vida.
E de lá do alto da casa observava a tudo e viu um menino parecido com ela e quase do seu tamanho, que deveria ser seu irmão, sobre quem lhe houvera falado e que assistia televisão. Em outro compartimento pôde ver um velho, que deveria ser seu avô que, comum cachimbo à boca lia um jornal sentado em uma cadeira de balanço. Em outra parte da casa pôde ver um outro que deveria ser seu irmão maior que estava à frente de computador pessoal, sobre o qual a menina houvera lhe explicado também. Em uma outra parte da casa havia uma mulher, que deveria ser a mãe da menina e que estava ocupada na cozinha.
Amenina apareceu na cozinha como cesto de flores nas mãos e pegou um jarro que punha água para por as flores dentro.
- Oh, minha filha ! – Disse-lhe a mãe com alegria ao vê-la. – Mas que flores lindas que trouxestes ! Mas por que demorastes?
- Ora,por nada,mãe. – Respondeu-lhe, escondendo a verdade. – O tempo é que passou rápido e eu não percebi.
- Agora vai tomar banho para se aprontar para ir para a escola, senão vai se atrasar.
- Está bem, mãe., não se preocupe. Não vou me atrasar.
Neste momento a menina se aproveitou para lançar a pergunta sobre o tempo de vida de uma borboleta. Curiosidade esta que de toda forma também despertara o seu mais intenso interesse. Falando a mãe então:
- Mãe... Estou curiosa para saber uma coisa. É muito importante para mim. Quanto tempo vive uma borboleta ?
A nossa alada protagonista aguçou os sentidos, pondo as antenas em riste.
- Em ? Uma borboleta? – Inquiriu sua mãe com bom humor. – Ah ! Existe um monte de borboletas por aí, não é? São criaturazinhas encantadoras... Mas elas não vivem por muito tempo. Talvez três meses mais ou menos...
A nossa borboleta nessa hora tomou um choque e quase despenca lá de cima, por saber assim que tinha tão pouco tempo de vida, e saiu voando pela casa, desesperada, buscando a saída. Aquela resposta lhe havia abalado profundamente e nessa hora também a mãe da menina reparou nela voando até encontrar outra greta no telhado a ganhar a rua. A mãe da menina então ficou intrigada, mas logo achou tratar-se de uma rara coincidência. Dessas que acontecem sem sabermos explicar o porque. A menina por sua vez reconheceu a sua amiguinha voando no alto da casa e percebeu que ela havia ouvido a resposta e que havia então se desorientado ante a resposta que sua mãe dera.
- Mas só isso mãe ?
- É minha filha. As borboletas existem para a primavera. Após o que, elas não suportariam o calor do verão. E também não teriam mais o que fazer.
A menina ficou tristemente pensativa. Sua mãe logo lhe perguntou:
- Mas, minha querida, por que perguntas isso ?
- Nada de mais não. – Respondeu ainda absorta com o impacto da circunstância que envolvia. – Foi uma borboleta com quem conversei e que ficou minha amiga. Ela quis saber quanto tempo ainda viveria.
A mãe da menina logo achou que sua filha havia sonhado, ou que tomou sol demais e estava delirando. E logo obrigou-a a tomar seu banho para almoçar e ir para a escola.
- está bem minha filha. – Respondeu-lhe então com ternura. – Agora vai se apressar, senão fica tarde. É tudo como Deus quer.
Nossa borboleta , que a tudo escutara do alto da casa, quando ouviu que o seu tempo de vida era muito pouco, tomou um tremendo susto que quase lhe fez despencar do alto da casa. Ficou chocada por saber que possui tão poucos dias para viver esse mundo que tanto lhe encantava e amava, achando assim não ser nada justo que tivesse tão pouco tempo para viver. Ficou deveras chocada. A princípio não sabia o que fazer, pois ficou desorientada por não Ter aquele longo tempo que imaginava poderia haver à sua frente e ficou atônita. Saiu da casa voando em total estado de desespero, até mesmo cambaleante como se tivesse recebido um forte golpe na cabeça. Não era justo. Ela que tanto amor tinha ã vida; que tanto amava a natureza; que esperara pacientemente para vir à vida; que tanto almejara ter suas asas para alçar seu vôo explorador pelas maravilhosas paisagens que o mundo tinha a lhe oferecer... De repente receber este duro golpe... Era muito para suas antenas tão amantes. Era um golpe muito duro, até mesmo cruel da natureza. E assim, desapontada, decidiu que deveria retornar para o grupo das suas semelhantes para contar a terrível novidade. Quem sabe poderiam fazer alguma coisa, tomarem alguma providência, pois algo deveria ser feito em relação a isso. Não conseguia imaginar o que, mas que algo devia ser feito, devia, e para isso precisava contar-lhes o que ainda há pouco soubera e que estava a dar-lhe irremediavelmente nos nervos. E pensando assim encaminhava-se para o local onde havia vindo ao mundo, onde estavam as suas semelhantes.
E assim se ia, revendo os lugares por onde houvera passado, seguindo o caminho de volta através de reconhecer as paisagens que havia visto. Mil pensamentos passavam por sua cabeça. Nossa atônita personagem porém não tinha idéia sobre qual solução tomar em relação a essa trágica notícia.
A noite veio e ainda estava distante de chegar ao local de onde saíra, onde deviam estar as outras borboletas, suas semelhantes. Pousou no alto de uma árvore e aquela noite lhe foi bastante longa pois, pensando atonitamente,estava uma pilha e não conseguia dormir, tantas preocupações lhe transtornando os pensamentos. Acabou por prostrar-se tristemente melancólica, sentindo bastante a sua sorte de pouco tempo para viver a vida, que tanto lhe fascinava. Mas quem sabe não era nada disso? Conjecturava comum resquício de esperança. Quem sabe a mãe da menina sua amiguinha houvera se enganado e ao invés de serem noventa dias fossem noventa anos? Quem sabe, mais até ? Mas não era possível que eles, seres tão sábios fossem se enganar. Certamente era a verdade, não teria mesmo muito tempo para viver, e isso a deixava muito chocada. E não poderia guardar isso só para si. Teria que contar a terrível novidade para suas companheiras. Quem sabe tomassem alguma decisão? Quem sabe encontrariam alguma solução. Se não o que fazer ? Não conseguia imaginar. E vinha-lhe a idéia de morte como a grande inimiga, a vilã, a verdadeira desmancha prazeres, que lhe houvera tirado o contentamento e a alegria por acenar-lhe tão breve. E como ela seria? De acordo como que sua amiguinha lhe houvera falado era algo tal como a vida não era: escura, vazia, silenciosa, sem vida, sem beleza. Era a destruidora da vida, sem beleza. Era a destruidora da vida. Não, Não poderia admiti-la de forma alguma. Teria ela que ser vencida. Mas como ? Aí esbarrava seu pensamento. Aí voltava a pensar em suas companheiras,para as quais estava se dirigindo. Mas não podia dormir. Ficava triste,melancólica e assim ia passando aquela noite. Chegara a cochilar, a dormir um pouco, mas acordara assustada pois lhe parecia estar vindo a morte por dentro do seu sono, e ela vinha a lhe sorrir como uma grande vitoriosa, como uma boca bem enorme e negra a vir lhe engolir. Foi uma noite de agonia. Não estivesse tão escura a floresta certamente que voaria à noite para chegar logo junto às suas semelhantes comas quais iria dividir sua aflição. Quem sabe chegassem a uma solução. Mas qual solução? Não conseguia imaginar. E assim iam retornando todos os pensamentos outra vez e nossa amiga nesse drama não conseguia sossegar-se e ter tranqüilidade para dormir.
Mas enfim, após essa longa noite de agonia, a primeira claridade se apresentava no alto do céu e em algumas folhagens, o sol estava de novo aparecendo, que por tanto tempo não veria... Não houvera imaginado de assim ser. E viria agora um novo dia. Um dia decisivo em sua vida. Não imaginava qual seria areação das suas semelhantes. Será que ficariam tão assustadas quanto ela estava agora? Ou não acreditariam e a tratariam com indiferença? Ou não se importariam? Não poderia saber, mas precisaria ter muito jeito e cuidado para contar-lhes a terrível notícia. E assim recomeçava sua viagem de retorno para de onde houvera saído, e continuando a se guiar pela paisagens já conhecidas por já haver por elas passado quando partira na sua exploração do mundo. Assim reconhecia as árvores, as flores, os rios, a cachoeira todo isso que lhe encantava e que brevemente já não mais veria. Em que viera dar a sua exploração do mundo? O que encontrara enfim ? O grande monstro da morte, que lhe aterrorizava dada a sua proximidade. E precisaria Ter muito cuidado ao contar a notícia da sua breve vinda pois esta poderia Ter o efeito de uma bomba sobre a comunidade. Por outro lado seria bom que todos se conscientizassem da gravidade do problema, pois juntas poderiam encontrar alguma solução ou tomar alguma atitude. E assim ia voando compressa e atarantada a nossa aflita protagonista. E assim chegou ao bando, que estava ainda no mesmo lugar onde vieram ao mundo. Ficou um tempo a distância observando o comportamento das suas semelhantes sem saber direito como chegar com a notícia, até que avistou aquela com quem já havia falado algumas vezes e que voava com outras companheiras com quem conversava em tom animado. As companheiras que com ela voavam pareciam ter-lhe muito respeito e dar a máxima atenção às coisas que ouvia dela. Mas o que seria mais importante do que a notícia que tinha ela a dar ? Resolveu assim aproximar-se e chegou-se, ante o olhar surpreso daquela sua velha conhecida com quem já havia trocado umas idéias e que não havia , mais visto desde que resolvera separar-se do grupo para sair pelo mundo afora. Ao reconhecê-la disse:
- E então? Já voltastes da sua exploração ao mundo ? Quais coisas maravilhosas descobristes ?
As outras se voltaram para a nossa protagonista aventureira sem muito entenderem aguardando a resposta. Nossa preocupada e atemorizada personagem, sem estar preocupada em esconder sua aflição, respondeu :
- eu tenho uma terrível notícia a contar para vocês. É uma coisa muito séria e precisamos fazer algo a respeito.
As companheiras arregalaram os olhos espantadas, curiosas e preocupadas como estado aflito em que falava a nossa preocupada personagem, mas a sua interlocutora, que sempre demonstrara indiferença às coisas que por vezes lhe dissera manteve-se na tranqüilidade e respondeu:
- Ora, o que poderia ser essa terrível notícia para que possas estar assim, tão agoniada. Queira nos falar por favor.
A nossa atônita personagem que já conhecia bem o jeito indiferente com que tratava as coisas que lhe trazia ficou mesmo um tanto surpresa desta vez pois ela agia da mesma maneira, mantendo a indiferença e a tranqüilidade ante a sua agonia que a fazia tropeçar-se nas palavras e não achava que ela iria manter a mesma serenidade ante ao que iria relatar agora:
- É que nossa vida vai se acabar ! E nos resta bem pouco tempo ! - Falou de um modo bem espantado. – Precisamos fazer alguma coisa ! – Prosseguiu.
As outras borboletas ficaram assustadas e olhavam surpresas uma às outras comentando entre si, quase todas falando ao mesmo tempo: “Como ? Não temos muito tempo!?” ; “O que será que vai acontecer?” ; “O que será de nós ?” ; “O que está por vir ?” ; “Ela parece bastante assustada...” Mas a sua velha conhecida manteve-se na serenidade e pediu silêncio ao grupo:
- Calma! Calma ! Não se ainda do que se trata. E voltando-se para nossa protagonista : - Você quer nos assustar ? O que você quer dizer com “não temos muito tempo de vida”?... Ou virá algum grande inimigo nos destruir ?... De que você está falando?
As borboletas do grupo ficaram expectas e atentas à resposta da nossa intrigada mutante:
- Nós não temos muito tempo de vida !!! – Respondeu a nossa angustiada mutante, ainda com todo o espanto. – Iremos todas morrer ! Morreremos todas brevemente ! A morte nos pegará em alguns dias!
“Morte?!” “Quem é?!” “O que é?!” As outras borboletas se perguntavam com os ânimos exaltados. Não sabiam o que era a morte, mas da forma como a nossa atemorizada personagem estava assustada e ofegante deveria ser algo muito sério e assustador. Mas a velha conhecida de nossa agoniada personagem manteve-se ainda calma e assim lhe falou depois de pedir silêncio ao grupo, que se achava com os ânimos exaltados :
- Ora, o que há de tão aterrorizante nisso ? É claro que um dia morreremos. – A velha conhecida da nossa desesperada protagonista falava com uma autoridade imponente. É claro que um dia morreremos. – A velha conhecida da nossa desesperada protagonista falava com uma autoridade imponente. - Mas morreremos no nosso tempo certo. Nada deverá abreviar o nosso tempo de vida. Não corremos perigo algum, desde que fiquemos aqui na proteção da floresta. As outras borboletas logo demonstraram olhares de alívio e contentação, meneando as cabeças, aprovando apalavra daquele que era para elas uma espécie de mestre,de líder e que lhes ensinava muitas coisas. E, voltando-se para nossa atarantada protagonista :
- Você sim, que corre perigo saindo por esse desconhecido afora como uma doida!
As companheiras lhe dirigiram olhares críticos e reprovadores.
- E ainda mais – Prosseguiu amestra com veemência – trazendo suas notícias absurdas para desestabilizar a tranqüilidade do grupo. Agora diga-me, mas com calma, o que está acontecendo ?
- Vocês não entendem ?! – Recomeçou a nossa aflita personagem, procurando ser calma, mas ainda com uma acentuada agitação. – É a morte !... Ela vai nos destruir em poucos dias ! Nós não temos muito tempo para viver !
As outras borboletas voltaram a assustar-se e olhavam umas para outras interrogativamente, para enfim olharem todas para amestra, aguardando a sua resposta.
- Mas é natural que morreremos. – Falou por fim a mestra, calmamente e com autoridade. Faz parte da vida. Todos morrem Até as plantas morrem. O que há de excepcional nisso ? Perguntou agora com alguma gravidade.
- As outras companheiras agora dirigiram seus olhares para a nossa atônita amiga, que achava que não se fizera entender ainda e então respondeu:
- Não por causa da morte ! Mas sim porque não vivemos tanto tempo, enquanto outros vivem muito mais do que nós e isso não é justo! Não está certo. Por que temos de ter tão pouco tempo para viver enquanto outros têm bem mais tempo do que agente? –Respondia cada vez mais aflita. As outras companheiras ficaram inquietas trocando olhares outra vez, interrogando-se umas às outras para enfim se concentrarem na mestra.
- Ora, - Respondeu a mestra mantendo a costumeira serenidade – De onde tiraste esta idéia? Quem lhe falou estas coisas? – As companheiras, todas curiosas,lançaram olhares interrogativos para a nossa agoniada personagem.
- Eu soube pelos seres que encontrei lá na saída da floresta, quase na cidade. – A nossa protagonista se mostrava ainda agitada e as que acompanhavam a mestra trocavam olhares interrogativos e curiosos.
- Ah! Já sei! Você esteve com os humanos, e conversou com um deles e está com medo porque lhe falaram que haveremos de morrer, e pelos cálculos deles nós não vivemos o suficiente para acharmos que vale à pena viver e você está pensando como eles. – As borboletas outras trocavam mais olhares indagadores, sem entender direito o que se passava.
A nossa exploradora personagem ficou agora um tanto surpresa, pensando: `como ela sabe dos humanos ? E mesmo da morte, como sabia` E aguardou que amestra das borboletas continuasse:
- Não devia ter conversado com eles, pois eles são diferentes, tem outra mentalidade, e outra medida para as coisas. Além domais, se acham superiores, melhores do que todos. Por causa disso deixamos de falar com eles. Deixamos de falar com eles todos os animais,pois por causa do jeito como eles pensam nunca podemos nos entender. A preocupação deles não é só viver : eles vivem preocupados com o entender a vida, a morte, tudo, que praticamente não apreciam e não desfrutam a vida e foste tu te meteres no mundo deles e já vem e já vem com essa agonia querendo nos contaminar com elas a nós todos com as idéias deles. Mas não nos preocupamos com essas coisas comas quais eles se preocupam. Viver é simplesmente viver ! O que nos interessa saber ? Olha como você está por Ter por princípio um pensamento como o deles. Nós nos guiamos por outros princípios. Vivemos a vida que nos é dada viver e aceitamo-la assim como ela é. – As outras borboletas olharam-se animadamente satisfeitas e felizes com a resposta da mestra.
Mas a nossa intrigante protagonista não se deu por convencida: achava que amestra não percebia muito bem a gravidade da situação ou estava sendo falsa com ela mesma e com o grupo e, quem sabe? Até querendo enganá-la. Mas também lhe passava pela cabeça que ela sempre tinha esse temperamento conformado desde que se encontraram pela primeira vez, ainda crisálidas, e se intrigava como fato de ela já saber da morte e dos humanos e resolveu enfim perguntar-lhe a respeito:
- Mas, como sabia dos humanos? E da morte? Como sabia ? Perguntou ainda sem poder esconder que se encontrava ainda agoniada . – As outras borboletas atentas.
- Ora , É simples. – Respondeu com contentação amestra das borboletas. – Nós vemos passar no alto do céu aquele pássaro gigante, que não tem vida e através e dos quais eles podem se locomover pelos ares e dá para imaginar que tipo de seres são. Há pouco ainda estávamos conversando sobre isso. Histórias sobre os humanos são contadas pelos nossos ancestrais desde os tempos imemoriais. Desde o tempo em que nós falávamos com eles, como os outros animais falavam também. Também pensando descobrimos as coisas. Esse se deixar pensar e atentar no próprio pensamento, sem interferir nele. No pensamento está a verdade. A verdade das coisas. O mesmo ocorre com a morte. Encontramos um animal sem mexer-se, sem falar, sem ouvir, sem abrir os olhos, sem respirar, e concluímos que uma dia estaremos assim também e que é natural a morte com que ora se agonia sem razão e com o que queres nos agoniar também. – As outras borboletas estavam mais conformadas e satisfeitas e até orgulhosas com a resposta da mestra, a qual ainda concluiu : - Estávamos há pouco conversando sobre essas coisas, não foi ? – As outras borboletas todas assentiram com a cabeça e exibiam satisfação nas faces. E prosseguiam todas conversando em vôo. Mas a nossa intrigada protagonista não se deu ainda por tranqüilizada. Tudo aquilo pulsava dentro diferentemente e achava que ainda não se fizera entender e prosseguiu, ainda no mesmo tom de agonia:
- Mas o problema não é a morte, nem os humanos, mas o nosso tempo de vida, que é muito pouco. A natureza está sendo injusta com a gente, nos relegando tão pouco tempo de vida, enquanto outros animais vivem tão longo tempo. – As outras borboletas voltara a se inquietarem, olhando-se umas às outras interrogativamente espantadas
A mestra então, demonstrando certa preocupação, mas ainda mantendo a altiva tranqüilidade respondeu-lhe:
- Mas você está pensando de acordo com o senso dos humanos, através dos quais veio a saber da existência da morte. Nós temos o nosso tempo normal de vida. Para nós não é nem muito nem pouco, mas o tempo ideal. O tempo suficiente para realizarmos tudo o que a nós compete fazer... Mas você foi saber que existe outros tipos, como os humanos, que necessitam demais tempo para viver, e acha que estamos em desvantagem, que o nosso tempo é pouco. Mas o nosso tempo é normal, o suficiente para gozarmos a vida. A natureza sabia e sabe o que faz, e querer mais tempo é ir contra toda a ordem, das coisas . – As companheiras assentiam orgulhosas.
A nossa atônita personagem se bem parecesse mais tranquilizada com a lógica do pensamento da mestra, por dentro ainda estava indignada e não conseguia se conformar com a brevidade de tempo que possuía, e não conseguia se conformar coma proximidade da morte. Falou então:
- Mas mesmo assim eu acho que deveríamos Ter muito mais tempo para viver, sim. O tempo que nos resta é muito pouco para podermos apreciar, conhecer esse mundo maravilhoso onde estamos,justamente porque a injustiça da natureza nos dar tão pouco tempo de vida, que acho que deveríamos tomar alguma atitude. – As outras borboletas ficaram um tanto espantadas com a insistência e pertinência da intrigada borboleta, e olhavam interrogativamente para a mestra, esperando sua resposta.
Amestra decidiu de imediato não rebater sua opinião para procurar saber o que lhe ia no pensamento; o que pensava fazer em relação a achar injustiça da natureza o seu breve tempo de vida e lhe falou:
- Pois bem, temos pouquíssimo tempo de vida. É uma injustiça da natureza para com a gente. O que, pois, devemos fazer juntas? Qual atitude devemos tomar? - Falou assim com alguma ironia. As companheiras ficaram também na expectativa, atentas. – A nossa atônita personagem continuou :
- Ora, não sei bem... Por isso vim falar-lhe assim que soube. Creio que deveremos pensar juntas alguma coisa !
- Mas não tens uma idéia? – insistiu a mestra. – Se tanto te preocupa essa questão, deveria Ter alguma solução... – As companheiras aguardavam interrogativas.
- Nossa revoltada protagonista, do alto da sua indignação então respondeu o que realmente lhe ia na cabeça:
- A única coisa que penso é que deveríamos parar com a reprodução então... Extinguir nossa raça, pois não merecemos tão pouco tempo de vida! – As companheiras da Mestra olharam-se pasmas e encararam a mestra cobrando-lhe uma resposta.
A mestra percebera que a nossa mutante protagonista falava mesmo sério e estava realmente muito indignada. No mesmo tom de tranqüilidade respondera:
- Estás tão revoltada com a natureza assim? Pois eu acho que é um absurdo o que nos vem propor. Como pode querer que interrompamos as nossas porque acha que vivemos tão pouco tempo se na realidade vivemos o tempo suficiente para realizarmos a nossa nobre função ? Se deixarmos de existir como será o mundo ? Perde mais da sua graça? O que será da primavera? – As borboletas que lhe acompanhavam assentiam orgulhosas. Mas a nossa irreverente personagem não iria desistir fácil. E contra-argumentou:
- Ora ! Mas o que não tem graça é que nasçamos hoje e morramos logo amanhã, enquanto outros têm muitos e muitos anos ! Por que com a gente tem de ser diferente dos outros? Por que tão pouco tempo?
- A borboleta mestra já começava a impacientar-se com insistência da nossa irreverente personagem e falou-lhe, buscando controlar-se na impaciência.
- Sabe, não importa o tempo que nos vivamos. Para nós é normal. Estás a achar curto o nosso tempo porque fostes pensar como os humanos, mas, você pense: você sabe desde quando existe o tempo e o quanto ainda existirá? Pois, que diferença faz em relação ao tamanho do tempo, se vivemos três meses, dez anos ou cem anos ? Seriam mil anos ainda muito pouco tempo em relação ao tamanho que temo tempo. O que importa é que vivemos. Que participamos da vida. Devia se dar por satisfeita só pelo fato de existir. O tempo que vivemos é o suficiente para que amemos, adoremos e participemos da vida. Da forma que ela é. Como mudar a ordem natural das coisas ?
A borboleta irreverente percebia que não iria conseguir fazer com que amestra mudasse de opinião e continuava na sua indignação devido à eminência da morte, e não queria mais lhe dar ouvidos e que deveria pensar em outra solução. Começou a Ter certeza de que não nascera para ficar junta às suas semelhantes pois era mesmo diferente, além do mais não a queriam aceitar da forma como era. Então reforçou o seu ponto de vista:
- Pois eu não vejo nada assim. Eu acho que somos injustiçados sim. Merecíamos viver muito mais tempo.
- Pois então, - Retrucou a mestra com ironia. – vivemos pouco tempo. O que irá fazer então ?
- Eu ainda não sei. Vou pensar... Mas com vocês eu não vou ficar. Aproveitarei meu pouco tempo para conhecer o mundo. – E dizendo assim desviou-se do grupo saindo a voar.
- Veja o que você vai fazer !- Aconselhou-lhe ainda amestra. – Aceite a ordem natural das coisas; não se rebele contra a natureza. Esqueça os humanos. - A nossa irreverente mutante já ia um pouco distante mas ainda ouviu essas últimas palavras da Mestra que continuou conversando comas companheiras, que tinham dela muito orgulho e ficaram muito impressionadas com o medo de nossa protagonista.
A nossa inconformada personagem afastou-se e foi para o alto de uma árvore para pensar. Mas não conseguia saber em que pensar. Sentia incontrolável o fluxo da sua mente. Foi impossível convencer suas semelhantes do que lhe indignava. Ao mesmo tempo apreciava a beleza de tudo em volta. As belezas que lhe entravam pelos olhos e lhe faziam exultante. A vegetação verde , doirada pelo sol a se embalançarem suas folhas ao vento; o céu azul; os diferentes e belos cantos dos pássaros; os animais da floresta; a cachoeira caindo com sua água tão límpida e o encantamento lhe arrebatava o espírito... Mas logo vinha o pensamento de que seu tempo é tão curto para apreciar a beleza da natureza e para conhecer tantas coisas mais que deve haver por aí, então voltava ao seu inconformismo e à sua irreverência. Lembrou-se da menina. Foi então que teve uma idéia. E resolveu voltar para encontrá-la.
E assim bateu asas a nossa ensimesmada personagem, seguindo pelo mesmo caminho que houvera tomado antes, na sua exploração do mundo, reconhecendo os lugares por onde passou, confiante na sua idéia parecia mais tranqüila, voando até mais lenta para melhor apreciar as certas paisagens que não reparara bem no primeiro passeio. Até que enfim chegou ao local onde encontrara a menina que colhia flores. Porém não a encontrou. Já era quase noite e a nossa incomum borboleta resolveu que iria para a casa da menina então. Certamente teria que esperar até o outro dia para poder falar-lhe, e ficou lá no oitão da casa, onde ficara da outra vez, o tudo observando. A mãe da menina estava a fazer café na cozinha, enquanto o velho, que devia ser seu avô, estava a ler jornal, fumando o seu cachimbo; seu irmãozinho brincava, armando um avião; num outro compartimento estava o irmão mais velho, frente a um terminal de computador e digitando num ritmo acelerado. Vou para o lado do quarto da menina, recém chegada da escola e já tendo tomado banho folheava, junto ao seu gato, que estava também sobre a cama , um álbum de figuras de borboletas, muitas borboletas, de variadas cores e espécies diferentes. Tivera vontade de aproximar-se mas a presença do gato. Nesse momento lembrou que tinha de cuidar-se por causa das lagartixas, que caçam e devoram insetos, e são traiçoeiras. Estava de toda forma de ter revisto e estar junto à sua amiguinha, mais ainda porque via que ela estava interessada na vida das borboletas.
Com pouco sua mãe a chamava para jantar. Nossa intrusa borboleta acompanhou então do alto da casa os passos da sua amiguinha até a sala onde se reuniam todos à mesa. Seu pai já havia chegado e, sentado na cabeceira da mesa ouvia atentamente a seu filho, que prosseguia nas suas idéias políticas... Todos davam atenção à sua fala:
- Pois é isso o que acontece: - argumentava - a sociedade, pelo Estado, tirou do homem a sua condição natural de se alimentar mediante o que a natureza lhe dá. Ora, naturalmente, biologicamente, antropologicamente o homem tem a sua alimentação garantida pela Terra no que ela lhe dá através dos seus frutos, dos peixes do mar. E até da própria caça, por que não ? – Nesse momento fez uma pausa. Fez-se silêncio. O irmão da menina prosseguia: - Então vieram alguns e cercaram grandes extensões de terras como se fossem donos exclusivos dela... E os outros? Ora, os outros se quiserem que trabalhem para eles, para se alimentarem. Será isso justo? Não. Claro que não. E todo o estado que deveria promover a justiça, na verdade corrobora com toda essa situação, defendendo os interesses dos poderosos. Quando aprovam leis que beneficiam o povo só lhe dão migalhas, e mesmo assim com fins eleitorais, e para conter-lhe um pouco mais a fúria, antes que tudo estoure em grande rebelião, quando não estoura. ( ou matem-se mais uns aos outros ) . Assim se faz escrava a maioria das pessoas porque lhes foi tirado o alimento que a natureza lhes dá.
- Sim,, mas, e então? – interrompeu o seu pai, atento ao raciocínio do seu filho. - Qual a solução?
- Certamente vamos jogar todas as cercas abaixo e espalhar o rebanho humano pela Terra. – Intercedeu seu avô a título de choça.
- Não, não vamos fazer nada disso. - O irmão da menina respondeu de maneira enérgica e exaltada. –O Estado ainda é uma boa filosofia, se justa, se bem administrado. Não vamos retroceder, mas sim avançar. Para que o Estado funcione com justiça basta que dê ao povo o que lhe foi tirado: o seu direito à alimentação como a natureza de graça lhe dá.
- E como é que vamos fazer isso meu filho? – Inquiriu sua mãe, carinhosamente.
- Aí é que entra minha proposta libertadora, salvadora, justiceira, pelo bem de todos, do Estado, da sociedade em geral _ respondia com entusiasmo eufórico. Os olhos brilhavam. Aí é que está pelo que eu vou lutar : o Estado pagará a cada cidadão uma quantia mínima que lhe cubra esta parte que lhe foi tirada. Uma quantia que seja suficiente para que se alimente.
- Ôba !Eu também quero ! - Era seu irmãozinho mais novo, vibrando com a idéia.
- Ora, mas quem é que não quer. Vai se como dinheiro de graça. – Era seu pai outra vez.
- Mas não é dinheiro de graça. É , sim, um direito a ser restituído. – Protestou o filho , sério. – É claro que isso carece de estudo mais aprofundado, - Continuou. – mas não será dado a qualquer criança, precisa de ter uma idade mínima. – Disse isso encarando o irmãozinho aproximando significativamente o rosto do rosto do irmãozinho.
- Muito louvável a sua idéia. –Admitiu seu avô com seriedade. Mas onde é que o Estado vai arrumar dinheiro para tanta gente?
- Ora, isso não é difícil. – Respondeu com naturalidade. – Os impostos são pagos para quê? Para benfeitorias. E benfeitorias são primordiais. Claro que se não for suficiente aumentaremos os impostos. (Prioridades/Gerar recursos/ Botar o povo para plantar/Vender comida para o mundo )
- Meu filho, - Arguía a mãe com certa inquietação. - isso não faria com que muita gente resolvesse vadiar a não querer trabalhar?
- Não creio que alguém vá se conformar apenas com o mínimo para seu sustento. O consumo é a tônica do comportamento atual. – Falava agora de modo professoral. – Porém se alguém não quer trabalhar não será isso crime. – Agora ía falando com mais irritação à medida que falava nesse ponto. – Mas quem disse que alguém é obrigado a trabalhar. E quem vai obrigar a trabalhar os milhares de desempregados que querem trabalhar e não conseguem ? Se alguém não quer trabalhar que não trabalhe. Se quiser ficar o dia inteiro de papo pro ar que fique. Desde que não inflija as leis... – Parou um pouco. Fez-se silêncio. Continuou, agora menos exaltado: - Não, não vai se criar uma horda de vagabundos. Vai sim, acabar com a fome, com a miséria e diminuir a marginalidade e muitos outros crimes.
- Eu ainda acho que está um pouco confuso. – Insistiu o pai com veemência.
- O que está confuso? Inquiriu-lhe o filho impaciente e dasafiador.
- Como alguém vai sustentar filhos se tiver apenas o mínimo para seu próprio sustento? – quis saber-lhe o pai comum tom triunfal.
- Bem... – O filho titubeou um pouco agora. O avô olhou para seu neto,levantando as sobrancelhas, cobrando-lhe uma saída. – Claro que isso não pode ser feito sem se tomar algumas medidas paralelas, e uma delas seria o controle de natalidade e quem quiser ter filho terá de trabalhar.
- Mas aí voltamos ao começo. – Argumentou o pai com uma ponta de humor. – E se não houver emprego? Ademais, partindo de um princípio natural o direito que o Estado deve restituir a cada cidadão como pode proibir o cidadão de ter quantos filhos quiser ?
- Claro que muita coisa ainda há de ser pensada. – Respondeu o filho em tom de preocupação. – Mas em tese alei pode ser aplicada a cada criança também.( um valor menor ) Estaria solucionado o problema... Ou então as crianças teriam direito à metade da renda de um adulto. Mas isso também não quer dizer que se descarte a questão do controle da natalidade. Não como lei, mas como uma tomada de consciência para uma melhor qualidade de vida para todos. Menos gente , mais alimentos. Não somos animais irracionais para procriarmos indiscriminadamente devorarmo-nos uns aos outros quando a comida acabar. Podemos antever, planejar...De qualquer forma tem muito o que se pensar. O importante é fazer o que deve ser feito: restituir ao povo o seu direito. Os problemas que aparecerem em decorrência disso serão então resolvidos, cada qual por sua vez. O remédio deve ser dado. Os efeitos colaterais se resolvem depois...
- Vê lá ! Certos efeitos colaterais podem matar se não for suspensa a administração do medicamento. – Falou assim o avô com graça.
- Ora, vô, não seja tão pessimista. – Respondeu o irmão da menina (Ricardo ?), repreendendo – Vocês deviam levar mais a sério as minhas idéias!...
- Eu acredito, meu filho... – Respondeu-lhe a mãe com afeto.
- Obrigado, mãe... Respondeu-lhe a filha com alegria e satisfação, alisando-lhe a mão. – A senhora tem a visão certa das coisas. Sei que conto como seu apoio.
- - Bem, quanto a mim, eu torço pela sua vitória por um mundo melhor. – Falou sério o pai. – Só acho que tudo deve ser muito bem pensado. – Completou.
- É claro, papai ! É claro! – Acolheu com satisfação
- Quanto a mim, estou muito velho para acreditar em uma sociedade justa. – O avô da menina com descrença – Embora ainda acredite em milagres...
- É isso aí vô – Disse por sua vez o irmão da menina, levando a bom termo as palavras do avô, ditas com ironia. – Grandes mudanças acontecem na história da humanidade. Basta que acreditemos.
- Quanto a mim , quero que isso aconteça logo. – Falou por sua vez o irmãozinho da menina, Mateusinho . – Vou ganhar duas mesadas.
- Todos riam enquanto o irmão maior com bom humor balançava a cabeça negativamente querendo insinuar decepção.
- A nossa inquietada personagem olhava a tudo lá de cima, penetrando nesse momento no mundo dos homens e seus problemas. A sua amiguinha ouvia a tudo sem dar uma palavra. Parecia estar longe de tudo aquilo ali. Quem sabe não entendesse nada do que os seus familiares conversavam. Mas na verdade pensava nela, na nossa atarantada protagonista e sua problemática. Ela não havia aparecido para o encontro que marcaram pela manhã. O que teria acontecido ?Será que ela ainda iria aparecer?
- Quer mais leite minha filha? – Interrompeu-lhe o pensamento a mãe.
- Não mãe, estou satisfeita. Posso ir ?
- Pode sim, minha filha. Já fez a lição?
- Já sim, mãe. Recebeu um beijo afetuoso na testa, foi beijar o papai ( o avô ) e retirou-se para o quarto desejando a todos boa noite.
- Sua mãe acompanhou-lhe com o olhar preocupado. Aquela conversa sobre a borboleta com quem haveria conversado era para deixar-lhe de fato preocupada.
Assim que a amiguinha da nossa borboleta adentra o quarto vai logo à cama antes de adormecer ainda faz uma oração com as palmas da mão coladas ante o nariz. Então apaga a luz e fecha os olhos sob o lençol. Antes de dormir fica a pensar um pouco na sua amiguinha borboleta,imaginando onde ela estaria, o que ela estaria fazendo e se indagando o porquê de ela não Ter aparecido como haviam combinado. Será que alguma coisa aconteceu? Será que ela se perdeu e não soube mais encontrá-la. Longe de imaginar a verdade do que se passou com a nossa inconformada borboleta, assim que sua amiguinha entrou no quarto ficando lá do alto de parede observando-a, fazendo aquele gesto da oração, persignar-se, e apagando a luz. Como as luzes da sala e da cozinha estavam ainda acesas. O quarto de Lícia não ficou totalmente escuro mas envolto numa penumbra clara. Nossa__________ personagem achou melhor que não pudesse se apresentar à sua amiguinha ali naquele momento já que ela houvera logo caído no sono e resolveu que iria passar a noite ali na cumeeira da casa na parte bem sobre o quarto da sua amiga. E assim seria e estava sendo. Nossa misteriosa borboleta até já cochilava quando de repente por alguma intuição, uma premonição que lhe acometeu no momento olhou para o lado e levou um susto ao ver que uma grande lagartixa caminhava sorrateira em sua direção. A luz do quarto do computador ainda estava acesa. Sobressaltada bateu asas com o olhar espantado de grande susto. Puxa! Esta foi por pouco ! E ficou então voando no interior do quarto dando voltas sem estar segura de pousar. Lembrou-se do alerta da sua amiguinha sobre as lagartixas e então decidiu que iria dormir na mata, no alto de uma árvore, onde estaria segura e quando chegasse o dia procuraria então sua amiga para falar-lhe da idéia que enfim tivera para solucionar seu problema da morte iminente. E assim ganhou a rua e no alto de um pinheiro adormeceu.
A manhã seguinte mostrou-se desde logo radiante. A mata viçosa sob um brando mas firme sol matinal de um céu sem nuvens. Pássaros chilreavam em várias partes; galos cocorejavam de seus terreiros como se houvessem estabelecendo uma ampla conversação. Outras aves também mostravam com entusiasmo o tom das suas vozes: os patos, os marrecos, os gansos que haviam por ali no enorme lago de um grande sítio. Para nossa _____________ borboleta toda essa sinfonia matinal era como uma saudação ao seu novo dia em que começava uma nova vida sem mais aflição e agonia que lhe perturbara tão profundamente o espírito. Até os zumbidos dos besouros e outros insetos soavam em harmonia àquela sinfonia matinal que era para si a saudação da natureza pelo seu reencontro com a vida. ( outras borboletas solitárias ,libélulas )Agora só faltava mesmo encontrar a sua amiga para que lhe falasse a respeito do que houvera decidido para que se concretizasse seus planos e voltasse definitivamente à sua paz. Decidiu que não ia à sua casa procurá-la. Pelo menos não logo. Ademais era muito cedo. O momento era de aproveitar e se integrar àquela deslumbrante manhã. Aliás, a manhã se pronunciava tão bela e cheia de lindas flores que certamente a sua amiguinha iria aparecer para colher muitas delas e aí então iria poder falar-lhe a respeito da sua determinação ( de viver plenamente) ( ? ) Enquanto sua amiguinha não aparecesse iria aproveitar para polenizar as flores alimentando-se do seu néctar gozando plenamente desta manhã que era amais bela que já tinha visto.
A manhã já ia há bom tempo. O sol já estava alto e nossa deslumbrada personagem esqueceu-se do tempo aproveitando-se das deliciosas flores. Sua amiguinha não houvera chegado e isso s frustrava um pouco, mas sabia que a podia encontrar quando quisesse e se ela não aparecesse iria procurá-la para conversarem na sua ida à escola. Mas a ansiedade/ Mas mal acabou de pensar assim pôde divisar ao longe a sua amiguinha que vinha com entusiasmo e satisfação enfeitiçada pela mágica daquela manhã colher as flores para decorar seu lar.. Vestia um vestido tipo de chita todo estampado com flores e lacinho na cintura amarrado atrás, botas pretas de pelica com meias grossas e na cabeça um gorro de estampado em cores parecidas ao do vestido. Trazia também um cesto onde iria colocar as flores. Ao vê-la nossa protagonista entusiasmou-se, rejubilou-se e não se contentou de alegria, partindo logo em sua direção:
- Bom dia! Que linda manhã, não acha ? Estava à sua espera.
- Ôi ! É você ? Como vai ? Senti a sua falta. Por que não apareceu como combinado ?
- Problemas... – Respondeu evasiva.
- Que tipos de problemas? Aconteceu alguma coisa? A voz suave e ingênua da sua amiguinha como tom de preocupação tocaram fundo na nossa alada mutante, que sentiu assim o quanto sua amiguinha gostava dela e com ela se preocupava. Isso lhe sensibilizou bastante mas também deu-lhe a segurança de que podia contar com sua ajuda para o plano que tencionava realizar. Então resolveu contar-lhe a verdade desde a última vez que se separaram.
- Naquele dia ao invés de voltar eu fui até a sua casa e fiquei escutando você conversar com sua mãe e então fiquei desorientada e muito aflita quando soube do meu tempo de vida. Procurei o grupo que tentou me fazer entender que tudo isso é assim mesmo, que é tudo muito normal e natural, mas eu não conseguia me acalmar e até discuti com eles e tive raiva da minha espécie, da vida e de tudo... Oh! Como eu sofri.(A menina é que deve dizer ) - A nossa pobre borboleta não podia dissimular a voz embargada da lembrança do sentimento que lhe acometia cuja uma ponta tocar-lhe agora indicando-lhe que ainda estava ali, recôndita em si.
A sua amiguinha ficou tomada de tenra emoção.
- Oh, não fique assim... Pobrezinha, eu imagino. Mas não temas, agora você está aqui comigo. – Concluiu consoladora.
A nossa mutante protagonista, passada a emoção triste da lembrança do sentimento vivido retomou num instante à sua condição de minutos antes desde que acordou com o dia a lhe saudar que surpreendeu a sua amiguinha quando de repente falou firme e com voz entusiasmada, alegre mesmo:
- É ! Mas agora já passou ! Tudo o que eu queria era lhe encontrar para acabar de vez com essa história!
- A sua amiguinha ficou tomada de espanto , tanto pela repentina mudança de temperamento da nossa protagonista quanto pelo acabara de falar: O que queria dizer com aquilo?! Acabar com essa história de uma vez?! Seus olhos ficaram arregalados de surpresa e espanto, fixando-se na nossa misteriosa mutante.
- Calma , Calma! Eu vou lhe explicar. – Antecipou-se. – Lembra que ( falou ) que eu fosse viver a minha vida com os meus? Como haveria de ser ?
- Sim, claro - Respondeu a nossa amiguinha ainda um pouco atônita, sem entender direito – Mas você foi e ficou desapontada... ? – Completou com um nervosismo ansioso ?
- Pois é - continuou nossa borboleta falante. – Mas aí eu tive uma idéia !!! - Estava entusiasmada.
- Qual idéia ? Diz! – A sua amiguinha não se continha de curiosidade e nervosismo.
- Lembra que me falou sobre os caçadores de borboletas que nos deixam presas a um alfinete, mortas?
- Claro ! – Respondeu a sua interlocutora coçando a cabeça de preocupação, com uma pulga atrás da orelha. Que será que ela queria dizer ? – Claro ! E então ? Diz logo o que é. – Pensava a menina que queria que a matasse e isso a deixava aflita.
- Pois eu decidi fazer as duas coisas,
- Como ? – A menina agora respirou mais calma, mas ainda um tanto espantada e preocupada, sem entender.
- Pois eu vou retornar para o grupo e viver a minha vida como deve ser. – Respondeu com altivez.
- Muito bem ! – Respondeu a menina com alegria. – Vejo que estás bem melhor agora. Ufa! Você me deu um susto danado. – Mas parou ( de repente ) um pouco pensou intrigada e perguntou então: - Sim, mas o que quer dizer com ‘as duas coisas’? O que tem a ver com os caçadores da vossa graça? – A menina não escondia o espanto que ainda lhe assomava. Será que queria que lhe pusesse fim à já tão curta existência? E era justamente isso o que a sobressaltava. Não seria capaz de ato desse não, nunca. Por outro lado a menina também a amiguinha da borboleta também se admirava de o quanto a nossa protagonista se houvera tornado forte em relação à morte o que o que a houvera feito uma vez Ter perdido todo o senso no desespero. E agora falava na própria morte tão altivamente, tão imponentemente com a autoridade de uma vencedora. Mas enfim a nossa geniosa borboleta começou a explicar com ar de autoridade.
- É simples: quando estiver perto de meu último sol se pôr eu virei encontrar você.
- Sim ! Claro você pode me procurar quando quiser. Eu sou para sempre sua amiga – Respondeu a menina com empolgação e tirando um peso do coração por não ser o que temia. Mas ainda assim uma pequena sombra pairava pois antevia que a sua amiguinha queria falecer consigo. Mas ainda assim (menos mal. )
- Pois é ! – Prosseguia a nossa protagonista sempre com entusiasmo: - Eu quero que quando eu tiver ido embora( sem falar, respirar, ouvir, etc. ) você me conserve num quadro como fazem os caçadores de borboletas.
A menina ouviu com surpresa realmente muito admirada da decisão da sua borboleta amiga e tomou-a toda em carinho e compreensão (  consternação ) consternação :
- Mas que coisa mais bonita você é ! Nunca vi nada assim. Seus dias sejam longos como os séculos e a felicidade seja sempre presente. Você é maravilhosa.
- Falando assim chegou próxima , encostou os lábios e a beijou.
- Que bom que sei que posso contar contigo. – A borboleta agradecia cada vez mais com satisfação.
- Claro ! E o que eu não faria por você? Você é a minha melhor amiga. A mais especial. Você é tão encantadora. Estou feliz que você reencontrou sua satisfação de viver. Pois veja como é bela a natureza! E você faz parte dela. Você é uma das belezas da natureza. Vocês estão associados tão harmoniosamente a uma das formas mais sublimes da natureza, que são as flores. Vocês se harmonizam de forma maravilhosa.
- - Feliz estou também porque você vai me ajudar. Sem isso eu não poderia concretizar a idéia que me fez ficar em paz, aceitar a contento a minha condição. É, agora, como falei
- Eu vu viver devidamente a minha existência junto aos meus semelhantes, como isso deve ser.
- Isso! Vejo que você está bem disposta e até ansiosa para se reintegrar aos seus. ( vou sentir saudades de você). Vá mesmo viver a sua vida, seja feliz com os seus, com sua companheira. Vá deixar sua semente na natureza. Mas não precisa ir agora. Eu ainda colherei algumas flores; é cedo, eu não tenho que ir para casa agora. Vamos aproveitar para conversarmos mais um pouco.
- A nossa___________ personagem concordou ( gostou da idéia ). Sentia-se muito bem ao lado da sua humana amiguinha. Era como sua proteção e a vislumbração de um mundo maravilhoso. O grande tesouro que encontrou na sua expedição aventureira ao desconhecido. Disse que gostaria de ficar com ela por toda a vida mas que infelizmente não poderia mais ficar com ela por muito tempo
- Pois teria de partir para poder chegar à sua comunidade antes de anoitecer mas que poderiam conversar por um bom tempo ainda antes de ela ter que partir.
- E assim ficaram a conversar por um bom tempo sobre temas os mais variados. A borboleta tanto aprendia mais do mundo dos homens, coisas que a menina ia lhe ensinando, enquanto a borboleta ia mais e mais lhe perguntando curiosa, assim como a menina também aprendeu sobre coisas do mundo da borboleta . Coisas as quais quis saber.
- Mas enfim chegou a hora. A borboleta tomaria seu rumo com destino à sua jornada de vida enquanto a menina ia para casa para se preparar para ir para sua escola. Foi uma despedida _____________ ,
A menina sabia que a veria de novo , e isso a animava, fazendo-a aceitar mais a separação, ademais ela iria ser feliz junto aos seus e tinha resolvido bem o seu crucial dilema ( fatal). A nossa _______ personagem estava animada com a partida e não foi tão difícil separar-se da amiga, pois sabia que tinha um bom tempo à frente para viver e que ainda voltaria a vê-la e passar com ela ainda um bom tempo. Assim se deram tchau. A borboleta partiu na direção de onde viera e a menina num olhar __________ e longo acompanhava a nossa borboleta até quando sumiu por entre as folhagens da ( densa ) mata.
A menina chegou em casa mais tarde, recebeu a mãe que estava na sala a ver televisão sentada em uma das poltronas. Sua mãe elogiou as flores trazidas no cesto e perguntou-lhe como foi o seu passeio.
A menina achou melhor não falar do seu novo encontro com a borboleta falante. Apenas perguntou à mãe se poderia lhe fazer um pedido. Após a mãe ter respondido que sim ela então formulou à mãe um pedido : Uma tela própria para colocar borboleta, igual à usada pelos colecionadores. Sua mãe de repente ficou estática, paralisada, pensando no que sua filha acabara de lhe pedir, associando aos fatos acontecidos. Sem muito poder pensar, apenas respondeu à filha:
- Claro, minha filha, claro. Agora vá tomar banho para se aprontar para a escola. Já pus sua farda no banheiro.
E assim _______ entrou para o banho.
Nossa borboleta já ia longe, tão cheia de contentação, animada em seu vôo de retorno à sua vida que voava até de forma __________, dando rasantes com as asas abertas e retas, desta forma também voando de um lado para o outro, numa espécie de zígue-zágue leve e suave. É assim que agora a encontramos, voando tão leve e célere de felicidade pela possibilidade da conquista da eternidade. Que viesse a morte, pois não a venceria. Pois ela resistiria. Resistiria para todo o sempre. Esse pensamento a confortava e de toda a angústia que há poucos dias lhe envolvia já nem se lembrava mais. Sua segunda viagem de volta à comunidade era um verdadeiro passeio. Parava para pousar nas mais diversas e belas flores e apareciam as mais diferentes e deliciosos néctares. Parava longamente para contemplar do alto das mais altas árvores as paisagens mais belas que haviam e apareciam no caminho. Pôde também reparar melhor e apreciar outras espécies de animais que haviam por ali: pássaros, cobras, outros répteis, quadrúpedes e insetos predadores . Sentia-se muito feliz em ver que tinha encontrado a sua paz de volta, e assim iria viver tranquilamente a sua vida como uma borboleta qualquer. Encontrou uma saída ____________ para o seu dilema. Não se continha de curiosidade de saber a reação das suas semelhantes ao vê-la serena, tranqüila, satisfeita, contente, empolgada. Certamente que iriam ficar surpresas. Já imaginava suas caras de admiração, ao verem que ela havia retornado à normalidade e ao bom senso.
( Nossa resoluta personagem ) anoiteceu antes que a nossa resoluta personagem chegasse ao lugar onde deixara o seu grupo. Estava já perto mas teve que parar para passar a noite, pois já estava o suficientemente escurecido para obrigá-la a parar. Escolheu uma árvore bem frondosa e se encolheu entre suas folhagens. Bom assim, pois o melhor era mesmo que se reencontrasse com os seus junto com os primeiros raios da manhã.
E assim foi. Aos primeiros raios da manhã chegara no local onde as suas semelhantes se encontravam. Não via mais em mesmo número, o grupo diminuíra ainda mais. Voou aqui e ali procurando encontrar a mestra e aquelas e aquelas que o acompanhavam. Não demorou muito os avistou. Estava lá a mestra conversando algo com suas companheiras que acompanhavam o seu discurso com atenção, ora fazendo expressos de espanto, ora de contentação, ora de seriedade, ora assentindo com algo que a mestra lhes dizia e seguiam assim, voando e conversando juntas. Talvez até falassem dela ainda.
Nossa __________ personagem chegou-se até a eles enfim:
- Olá! Como vão ? Sentiram a minha falta ? - Perguntou com empolgação.
Aquelas borboletas não podiam conter a surpresa e a admiração por reencontrarem aquela borboleta problemática que lhes tinham mexido com os ânimos e por ver que agora ela não estava daquele jeito angustiado, desesperado, aflito, como se apresentara da última vez. Ao contrário, se mostrava bem relaxada, serena, contente. Não podiam esconder uma certa dose de espanto em suas caras.
-Olá! – Respondeu a mestra , procurando demonstrar naturalidade. – E então, está melhor ? Não me parece mais desesperada e rebelde. O que aconteceu ?
-É , de fato. – respondeu nossa borboleta – Estou bem. Bem como nunca estive antes.
- Nota-se. Resolveu aceitar a vida como ela é para nós ? – Perguntou com uma certa soberania de um orgulho triunfante.
-É, foi justamente isso o que se deu. Veio-me a iluminação da verdade e eu entendi que devia viver a vida como determinado pela natureza e que estava sendo tola ao ir contra a ordem natural das coisas. – respondeu de forma convicta e enérgica.
As companheiras da mestra olharam-se com ar de contentação, e até orgulho da mestra por ver que ela já estava certa antes em suas idéias quando aquela borboleta agoniada se apresentara com a sua agonia.
É – continuava a nossa __________ borboleta - o certo é viver a nossa vida, fazendo o que tem de ser feito, polenizando, enfeitando a vida com as nossas asas ( belas ), apreciando a beleza e louvando a natureza e perpetuando a espécie.
-Quer dizer que não está mais com aq1uela idéia de parar geral a reprodução? – Perguntou com ironia e ar de deboche.
- Não! De forma nenhuma – respondeu bem humorada a nossa conformada personagem. Depois riu, para um tanto mais de surpresa das suas interlocutoras. – É mesmo engraçado lembrar. Vejam só como tornei-me irreverente. Estava totalmente fora de controle. Como pude querer ir contra toda natureza?
- Mais do que isso ! Você entristeceu a natureza. Pareceu ingrata. Podia até ser castigada. – As suas amiguinhas assentiam com ar de seriedade encarando-se.
A nossa _________ mutante ficou um tanto reflexiva e pensativa pela alusão à natureza como um ser em si e que tivesse discernimento, sentimento e poder de ação desta forma assim sugerida pela mestra. Logo percebeu que ela estava jogando com as palavras, com um sentido diferente desprendendo nela um determinado entendimento das coisas. Ali concluiu que verdadeiramente a mestra era dotada de sutil imaginação e inteligência. Olhava já aquela sua semelhante com respeito reconhecendo que ela possuía muito propriamente a admiração, a veneração daquelas suas companheiras. De certa forma a nossa personagem já a admirava também.
-É, - consentiu a nossa borboleta – ainda bem que ela não me castigou. Acho que ela não ouviu.
Riram todos juntos agora. Admiravam-se do bom humor da nossa _________ mutante.
Ela estava realmente resolvida, de bem com a vida.
- Fico feliz de que tudo esteja bem com você. Seja bem vinda de novo à sua comunidade ) Você me preocupou muito com suas idéias pois poderia desestabilizar a nossa comunidade gerando o pânico com sua idéia de morte tão próxima. Deixemos que cada um descubra sobre a morte e fique cada um pra si. Muito menos essa idéia de morte próxima por essa comparação com os humanos. Você iria apavorar todo o grupo. Eu nem sei o que poderia acontecer...
-Mas agora tudo é passado. Ainda bem que não espalhei o pânico. E agora estou aqui feliz e tranquila para viver.
- naquele dia conversaram muito. A nossa _________ borboleta quis se inteirar do pensamento da borboleta mestra. O que ela dizia para aquelas duas companheiras que faziam-nas tão admiradoras e apegadas à mestra.
E a mestra falava sobre várias coisas de interesse às borboletas, as vantagens de ser borboleta, como fazer para escapar das predadoras, companheirismo, reprodução; flores que têm melhores néctares, etc. Nossa personagem aprendeu coisas que não houvera aprendido antes e pensado em coisas que não havia ainda pensado, atarantada que estava com a questão da morte, da morte iminente.
- Vemos a morte tão distante quanto os humanos a vêem também. – A mestra dizia.
A certa altura, perto de encerrar a tarde e vir a noite
A nossa __________ ( reintegrada ) personagem manifestou que tinha de separar-se pois precisava voar um pouco sozinha, dar um passeio rever e ver mais de perto o lugar onde viera ao mundo, que pelo seu desejo não de conhecer o mundo. Assim separou-se do trio com quem passara quase o dia todo conversando e foi tratar de encontrar um bom tronco de árvore para marcar nos finais de tarde mais um dia vivido e ter controle dos dias vividos para saber quando retornar à sua amiguinha humana para consumar as coisas programadas. Assim a nossa _________ mutante descolou-se do trio e partiu para um voo
Solitário, fazendo um reconhecimento mais detido da área onde habitava, enquanto olhava as árvores mais troncudas para encontrar a mais apropriada para seu fim.
Enfim encontrou uma árvore ideal para marcar seus dias. Ali marcou quatro traços verticais significando cada traço um dia vivido desde quando saíra do casulo. Ali por perto mesmo adormeceu na noite daquele dia. Sentia-se plena de satisfação.
Nos dias seguintes a nossa borboleta viria a viver a sua vida sempre em companhia dos outros da sua espécie que por ali próximo onde nasceram se fixaram. Apesar de o bando estivesse cada vez mais a diminuir, a mestra mais as outras duas amiguinhas sempre estavam por ali , e sempre estavam juntas . Todos os dias nossa personagem ia ao encontro do trio e passavam quase todo o dia juntos a conversarem. O trio às vezes estranhava o comportamento da nossa mutante.Via-se bem que ela havia superado o problema que a atormentara outrora e se mostrava bem contente. Mas aí é que estava o que causava a estranheza. Estava contente demais também, de uma forma mesmo exagerada. E até mesmo quando a conversa inevitavelmente girava em torno da morte, ela falava da morte com empolgação. Seus olhos até brilhavam e seu roso se ornava num semblante iluminado. Era como se vibrasse por existir a morte.Está certo que todo aquele desespero por causa da morte (eminente ) tinha de ser contido, porque não era normal. Mas também demonstrar exaltação à morte não é normal, da mesma forma. Desta forma até assustava e deixava intrigadas o trio companheiro , pois claro que no fundo temiam a morte de certo modo. Melhor fosse que ela não existisse, tanto pele dor que deve lhe acompanhar quanto pelo que ela nos priva deste bem todo que temos , que é a vida, eliminando-nos da natureza. Assim a morte não era também para ser exaltada nem tratada com empolgação como se fosse a melhor coisa da vida. Será que ela ficou biruta? Desconfiavam. Estranhavam também que todo dia no fim da tarde a borboleta se separava delas e ia não se sabe para onde reaparecendo só no outro dia, já estavam intrigadas com esse comportamento.
E assim a nossa _______ borboleta foi vivendo seus dias, nas flores, nas conversas, nos passeios, tomando cuidado com predadores. Chegou o tempo de encontrar uma companheira e se acasalar fecundando sua semente no corpo de sua companheira que logo iria por suas larvas sobre as folhas. E assim foi. Porém lhe causou muita tristeza quando viu que sua companheira morrera logo após colocar as larvas que eram frutos dela e da nossa ____________ mutante. Aquilo lhe fez triste por algum tempo até se conformar com a natureza. “ Devemos aceitar a natureza como ela é “ dizia sempre a mestra...
Os dias de vida da nossa borboleta junto ao seu grupo pareciam mais longos do que havia imaginado quando soube dos noventa dias que lhe caberiam viver. E olha que vivia estes dias intensamente. E todos os dias, no fim da tarde marcava um risco no tronco da árvore que escolhera para marcar seus dias. E muitos dias já haviam passado. E muitos dias vira chegar ao fim. E muitos dias vira nascer. E muitos dias foram de diversões nos passeios, nas flores, nas conversas.
A mestra perdeu uma de suas companheiras devorada por um predador. A mestra ficou muito triste e saudosa desta companheira a quem muito estimava e por, e por ela era estimada também. Mas, é a natureza. O que fazer ? Apenas aceitar. E tocar vida em frente.
Em certo fim de tarde ao chegar-se ao tronco para marcar mais um findo o dia nossa _____________ personagem reparou que já tinha bastante dias marcados, e lembrando-se da orientação da menina contou-os. Viu que tinha já 85 dias vividos, faltavam apenas 5 dias para completar seu tempo médio de vida. Assim resolveu que partiria para junto da sua amiguinha no dia seguinte. Chegavam enfim seus últimos dias. Um misto de ansiedade e temor lhe ocupava o sentimento. De fato já vinha de poucos dias para cá sentindo-se progressivamente mais enfraquecido. Cansava-se mais rapidamente dos voos diários , sentindo necessidade de descansar mais a cada voo. Assim, após marcar mais um dia foi dormir resolvido que no dia seguinte partiria logo pela manhã cedo.
Nossa ________ personagem não percebeu que no fim da tarde daquele dia quando se separou da mestra e da sua companheira sobrevivente foi seguida por elas que queriam de uma vez por todas desvendar o seu segredo de todos os fins de tarde, em que de forma muito suspeita se desviava da dupla e tomava rumo desconhecido para só reaparecer no outro dia. Desta vez conseguiram segui-la e ficaram olhando curiosa a borboleta fazendo alguma no tronco de uma árvore. Ao verem aquilo olharam-se interrogativamente, mas só no dia seguinte para poderem chegar perto e ver do que se trata. O que havia naquele tronco. Resolveram dormir ali mesmo para no dia seguinte irem ao tronco para ver do que se trata. O que havia naquele tronco. Resolveram dormir ali mesmo para no dia seguinte irem ao tronco para ver do que se trata.
No dia seguinte já antes de amanhecer a nossa _________borboleta despertou. Logo lembrou-se de que aquele era o dia de uma longa viagem até a casa de sua amiguinha humana. Mas antes de seguir ao seu destino resolveu dar mais um passeio pelas imediações do espaço onde nascera e vivera sua vida ( crescera ), seu dia-a-dia de borboleta. Era um lindo pântano com os mais variados tipos de plantas e flores e o sol o fazia ainda mais belo como nesse dia. O último dia naquele belo lugar que aprendera a amar; onde fez suas amizades; onde amara sua companheira e que vivera tão bons momentos como jamais houvera imaginado antes. Afastou-se e ficou a boa distância do habitat em que se desenvolveu e de onde podia ter uma visão panorâmica e bela. Uma melancolia de saudade antecipada lhe tomou enquanto apreciava a paisagem do lugar. Ficou durante um bom tempo apreciando a vista. Ao se dar conta já houvera passado um bom tempo e já era hora de partir. Decidiu então partir definitivamente sem mais olhar para trás. Levaria em seu sentimento a lembrança de onde fora feliz vivendo sua vida de borboleta. Avistou ainda de onde estava a mestra e a companheira sobrevivente. Teve de início um impulso de ir até elas para despedir-se, mas pensando bem, achou melhor não fazê-lo. Teria de explicar-lhes para onde estava indo ( iria ) e para que, e isso não seria possível pois como explicar-lhes... Assim deu meia volta e seguiu decidida para a casa de sua amiga para cumprir com o objetivo determinado. Partiu rumo à eternidade.
A mestra e sua companheira logo que amanheceu chegaram-se até a árvore em que vira a borboleta __________ em atitude curiosa. Chegando lá ficaram intrigadas ao verem todos aqueles traços riscados no tronco da árvore. Não podia compreender o que significava aquilo. O que seria? Olharam-se interrogativamente. Sem poder atinar com o que era, de uma coisa estavam cada vez mais certa. Aquela borboleta era muito estranha. Muito estranha mesmo. Resolveram sair à procura da borboleta ______ para perguntar-lhe sobre aquilo. Mas não a encontraram e jamais a encontrariam pois a nossa sonhadora alada já havia se mandado para não mais voltar. O seu sumiço deixou-as ainda mais sem entender pois todas as manhãs a nossa ___________ mutante ia ao encontro deles, e daquela vez nada de borboleta ___________. Ficaram apenas a imaginar e conjecturar hipóteses sobre que fim levou a borboleta rebelde.
Aquela viagem da borboleta foi a mais cansativa pois nossa ___________ borboleta teve que parar muitas vezes para descansar. Sentia o cansaço e o peso das asas. Nas vezes em que parava aproveitava para contemplar as paisagens daquele caminho, já sendo percorrido pela quinta vez. Assim lançava um último e fundo olhar para as diferentes árvores , os diferentes animais, para a cachoeira, para o lago, para o rio. E nisso aproveitava também para refletir sobre tudo o que viera a viver e estava vivendo. Pensava em sua vida cheia de aventuras. Relembrava os fatos mais marcantes, cheio de saudades, fatos que a faziam sorrir, outros que a faziam entristecer. A maior parte, coisas boas. Quando sentia-se descansado e com as forças renovadas então alçava voo rumo ao encontro com sua amiguinha humana. Não podia conter a ansiedade que a tomava quando pensava em vê-la, tão carinhosa consigo ela é. Como será bom tê-la nesses últimos dias de vida. Estava cada vez mais certa de que estava fazendo a coisa certa e de que foi muito acertada também a decisão de sair por este mundo afora para explorá-lo. Senão, como seria triste e pobre a sua existência e vazio o seu fim. E foi assim que, voando, descansando, refletindo, relembrando, ansiando pelo encontro com sua amiginha humana, nossa ( saudosa ) personagem cumpriu as etapas da viagem, conseguido chegar ao seu destino antes de anoitecer. Resolveu ficar na mesma árvore que ficou quando da última vez que ficara a esperar sua amiguinha humana aparecer para colher flores. Desta vez porém era início de noite. Sua amiguinha devia estar chegando da escola e certamente só apareceria no outro dia. Nossa ________ personagem estava cansada da viagem, de voar o dia todo e mal a noite caía já se encontrava dormindo um sono profundo no alto de um árvore dela já conhecida


Esta estória continua em breve. Aguarde...